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Venom (2018)

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Venom“Honesto”, eis a melhor palavra para definir Venom. Se fosse para dar uma nota, seria “7/10”. E o que isso quer dizer? Quer dizer que o filme poderia ser melhor (e abaixo explicarei o porquê), mas também significa que o diretor Ruben Fleischer realizou um bom trabalho, distanciando-se de produções como Quarteto Fantástico, X-Men: O Confronto Final e Homem Aranha 3, conhecidos desastres protagonizados por personagens da Marvel quando tratados por mãos alheias. Antes do bate e assopra, porém, vamos à sinopse.

Regressando à terra, uma nave espacial sofre um acidente pouco antes de reentrar na atmosfera. Os destroços do veículo caem na Malásia, e a investigação, que é conduzida sigilosamente pela empresa Fundação Vida, revela que parte do conteúdo transportado foi perdido. E não trata-se de um conteúdo qualquer: a mando do presidente da fundação, o visionário/lunático Carlton Drake (Riz Ahmed), a tripulação estava transportando simbiontes, formas de vida alienígena que o empresário pretendia utilizar em seu projeto de desbravamento espacial.

Paralelamente ao acidente, conhecemos Eddie Brock (Tom Hardy), repórter investigativo que ganha a vida revelando ao mundo a faceta podre da cidade norte-americana de São Francisco. Em sua busca pela verdade, Eddie apresenta poucos escrúpulos, e é assim que ele invade o computador de sua própria noiva, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), e descobre informações assustadoras sobre a Fundação Vida: ao que tudo indica, a empresa está ocultando a morte de seres humanos que foram utilizados em testes obscuros. Eddie confronta Carlton Drake e perde: além do presidente valer-se de sua influência para fazê-lo ser demitido, Eddie é abandonado por Anne, que sente-se traída no caso do computador. Pobre Eddie.

E o pobre, no caso, também tem sentido literal: sem emprego e sem mulher, o cara passa a viver na pior, morando num muquifo e tendo seu currículo recusado por todos os jornais da cidade. Pausa para um elogio: não que isso seja novidade para alguém, mas o Tom Hardy mostra nessa parte inicial da história o porque de ele ser um dos grandes nomes de sua geração. É impressionante o quanto ele transita bem entre o drama e o humor inerentes ao fundo do poço que Eddie encontra-se, fora que o preparo físico do cara continua invejável. Voltando, o link para a ação acontece quando Eddie é procurado por uma funcionária da Fundação Vida, que convence-o a vasculhar o local em busca de pistas que possam incriminar Carlton Drake. Durante a incursão, Eddie é “contaminado” por um simbionte, adquirindo poderes sobre-humanos mas perdendo parte de sua autonomia para a entidade alienígena autodenominada Venom.

Venom - Cena

Venom divide-se claramente em 2 partes, uma séria e uma de pancadaria pura, com a aparição do protagonista (uma belezura em CGI) como divisor de águas. Da primeira, não há o que reclamar: os diálogos são bons, o humor está bem dosado e o Tom Hardy, conforme dito, está tinindo. A introdução, resumindo, foi muitíssimo bem executada, tanto na apresentação dos personagens quanto na criação de um clima para a história, que é majoritariamente noturna e numa pegada investigativa. Já a parte “POW BANG ZAPT” merece algumas ressalvas, a começar pela mudança de tom.

É sabido que um dos maiores trunfos da Marvel no cinema é o humor. No meio de um diálogo e outro, uma cena engraçadinha pra fazer a gente rir. Eu gosto. Venom peca nesse aspecto não pelo exagero, mas pela distribuição estranha. Depois que o simbionte aparece, o volume cresce exponencialmente. De certa forma, isso faz com que o clima mais “adulto” construído durante a introdução perca-se rapidamente. Outro problema trazido pelo início da pancadaria é a simplificação excessiva de pontos centrais do roteiro, sendo que a mais significativa é a motivação do Venom para, digamos, optar por ficar na Terra e, de uma forma bastante pessoal, combater o mal. É muito repentino e pouco convincente.

Venom (2018)

As cenas de ação são bastante criativas. Fora aquela perseguição de moto que o trailer já havia entregado, há ainda embates menores entre o simbionte e capangas genéricos de Carlton Drake e um “pega pra capar” entre o personagem e o verdadeiro antagonista da trama que o filme revela já próximo ao final. O diretor Ruben Fleischer mostra várias das habilidades de Venom, como poder reconstituir partes do próprio corpo e transformar seus membros e tronco em armas letais. Isso tudo é bem legal, mas o fato do “uniforme” do personagem ser preto/azul escuro, combinado com a ambientação noturna e a edição frenética deixaram o visual bagunçado demais. Já ouviram falar na expressão “briga de foices no escuro”? O desfecho de Venom é tipo isso aí.

Todo caso, comemoremos. A primeira cena pós-crédito (são duas) indicam tanto o início de uma franquia quanto um tom mais sombrio para a continuação. É bom dar risada vendo o Venom atormentar o Eddie Brock? Até é, mas legal mesmo é quando ele ameaça transformar um trombadinha em um “troço sem braços e sem pernas rolando por aí como bosta”. Tomara que sigam por esse rumo.

Venom - Cena 3

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