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Halloween (2018)

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Halloween 2018Ode à tolerância: tenho MUITA birra com atraso. Marcar algo comigo e chegar mais de 10min depois do horário combinado (sem uma boa explicação) é pedir para me encontrar de cara amarrada. Numa sexta feira aí (26/10), porém, fui beneficiado por um atraso. Após um compromisso que acabou durando mais do que o esperado, corri em direção a um dos shoppings da cidade com a intenção de pegar a sessão do Halloween das 15hrs. Estaciona, sobe a escada rolante naquele pique de academia, vai até a máquina de autoatendimento e… 15hrs15min. “Putz, perdi os trailers e o início do filme”, pensei. Como a merda já estava feita, ainda gastei mais uns 5min comprando pipoca e refrigerante antes de entrar na sala do cinema, momento em que imaginei que já veria o Michael Myers enfiando a faca em alguém mas que, para a minha surpresa (e alegria!), os trailers estavam apenas começando. A sessão atrasou. Ri sozinho pensando no quanto já fiquei puto de raiva porque alguém me deixou 10/15min esperando. São nessas pequenas ironias de vida que a gente vai colocando o pé no chão e amadurecendo.

A fé nesse novo Halloween era pouca. Terminei meu último texto da série dizendo que eu torcia pela produção, mas a verdade é que, após muitas decepções, eu já havia desistido de ver algo que fizesse justiça à criação do John Carpenter. O saldo cinematográfico do assassino de Haddonfield, depois de porcarias como A Última Vingança, é muito negativo. Tendo como base o que vi aqui, porém, há razões para acreditar que o jogo poder virar. Assinado pelo diretor David Gordon Green, Halloween é um passo inteligente para o reboot da franquia, pois, ao ignorar todas as sequências do orignal, ele apresenta uma continuação direta dos eventos vistos no filme de 1978, decisão que garante uma boa dose de nostalgia e que abre caminho para novas e revitalizadas produções com o Myers.

Halloween 2018 - Cena 3

A trama respeita o tempo passado no mundo real e também acontece 40 anos depois (1978-2018) do primeiro confronto entre os irmãos Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e Michael Myers. Ele foi internado em um hospital psiquiátrico, ela teve uma vida marcada pelo trauma daquela fatídica noite de Halloween. Laurie até tentou seguir a vida: casou, teve uma filha e ganhou uma neta, mas a obsessão que ela desenvolveu com um possível retorno do irmão transformaram-na em uma pessoa paranoica e indesejável. Isolada da família, Laurie opta por viver em uma casa no campo, casa que ela transforma em uma fortaleza na expectativa de, um dia, enfrentar Michael novamente.

A inevitável “reunião” começa a tomar forma quando um casal de jornalistas visita Michael no hospital psiquiátrico. Eles, que são do tipo que ganham a vida resgatando casos polêmicos do passado, pretendiam obter alguma informação do famoso assassino de Haddonfield. A cena onde a “entrevista” acontece é boa demais: aquele pátio enorme, com o Michael preso em correntes e cercado por um bando de desajustados, é, fácil, um dos melhores cenários já vistos na franquia. Ali, acontece o erro que trará destruição e morte para um número sem fim de pessoas: na ânsia de arrancar alguma palavra ou confissão do assassino, o jornalista mostra-lhe a famosa máscara (isso mesmo, a tal baseada no rostinho bonito do William Shatner). Big mistake, motherfucker: o cara fica possesso e, no dia seguinte, aproveita a transferência dos internos para fugir.

Halloween 2018 - Cena 4

A fuga, como não poderia deixar de ser, acontece no dia de Halloween. Primeiro, Michael trata de recuperar sua máscara e de conseguir uma faca gigante, depois, ele anda novamente pelas ruas de Haddonfield matando pessoas aleatórias que participam do “doces ou travessura”. É nesse ínterim que o assassino vai atrás não de sua irmã, que estava trancada em uma fortaleza na floresta, mas de sua inocente e avoada sobrinha, Allyson (Andi Matichak), o que obriga Laurie a abandonar o isolamento e tomar medidas para proteger sua família.

O diretor David Gordon Green atualizou a linguagem de Halloween acrescentando no longa a violência gráfica explícita típica de produções recentes do gênero. A cena em que o Myers pisoteia a cabeça de um infeliz até transformá-la em uma massa disforme de carne e ossos, por exemplo, não deve nada para “filmes podreiras” como O Albergue e Jogos Mortais. A utilização de elementos do presente ainda garante uma cena sinistra e espetacular com um sensor de movimento em um jardim (pobre gordinho!), mas também há espaço para o material clássico, a começar pela abertura. A fonte do título, a abóbora em stop motion e a musiquinha infernal: está tudo lá. Os fãs mais hardcore ainda notarão semelhanças com os outros longas da série que, apesar de não serem incluídos na cronologia, foram homenageados pelo diretor com a inclusão de diversos easter eggs: particularmente, gostei da recriação da cena em que o Michael consegue a faca na cozinha (Halloween 2) e das fantasias das crianças na rua (Halloween 3). Também chama a atenção a semelhança/homenagem com o roteiro do Psicose, quando personagens importantes são eliminados no meio da trama, deixando a gente sem reação.

Halloween 2018 - Cena 2

Ainda no campo da nostalgia, é muito bom que tenham resetado a linha do tempo para que a Jamie Lee Curtis pudesse voltar a interpretar a Laurie Strode. Depois de ser descartada da forma mais idiota do mundo no Halloween: Ressurreição, a personagem volta para um pega pra capar épico com seu algoz. Rola de tudo: arremessos, tiro na cara, tiro nos dedos, incineração e desrespeito. Mas não é Laurie Strode que protagoniza a melhor cena de Halloween. Numa ousadia com poucos precedentes, o diretor David Gordon Green teve culhões para colocar o Myers enfrentando uma criança. O resultado não é bom apenas pela coragem do cineasta de enfrentar um dos maiores tabus do cinema, mas também por toda a construção do clima sombrio da cena. Saca só:

“Pai e filho num carro na estrada à noite. Acidente de ônibus bloqueando a via. A gente SABE que o Myers estava no ônibus. O pai sai para verificar a situação e NÃO VOLTA. O menino, que a poucos instantes estava dizendo que só queria fazer aulas de dança, pega uma espingarda e desce do carro, gritando pelo nome do pai. Escuridão TOTAL. O Myers aparece.

Foda, né? Halloween é muito bom. Esta resenha está saindo com um pouco de atraso (é a proximidade do fim do ano letivo acabando com o meu tempo livre), mas, se ainda for possível, tentem assisti-lo no cinema, vale muito a pena. Todo caso, se vocês perderem esse, não se preocupem, porque é praticamente impossível que não haja uma continuação, tanto porque a produção foi muitíssimo bem nas bilheterias quanto porque, nos créditos, confirma-se outra tradição da série: após tomar uma sova épica, a respiração ofegante de Myers confirma sua imortalidade e seu inevitável retorno. Pobre Laurie Strode! 😆

Halloween 2018 - Cena

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Halloween: Ressurreição (2002)

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Halloween - RessurreiçãoCom mais um Halloween prestes a sair do forno (pasmem: será o décimo primeiro!), resolvi retomar minha cobertura da série e assisti esse Ressurreição, oitava episódio da saga do serial killer de Haddonfield. O texto conterá SPOILERS.

Façam-me um favor: olhem o poster ao lado. Em tradução livre, disseram que o filme é “aterrorizante” e “bom pra caralho”. Nada poderia ser mais distante da realidade. Ressurreição é um amontado de sem-vergonhices e ideias ruins que reuniram e resolveram chamar de Halloween, a começar pela “desculpa” que utilizaram para trazer o Michael Myers de volta.

O longa anterior, H20 – Vinte Anos Depois, terminou com a Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) arrancando a cabeça do Myers com um machado. Convenhamos que é um desfecho difícil de ser contornado, mas a solução encontrada beira o amadorismo: antes de confrontar sua irmã, Myers trocou de roupa com um paramédico, esmagando as cordas vocais do cara para que ele não pudesse denunciar sua identidade. Isso é explicado assim, PA, PA, POW! logo nos dois primeiros minutos. A gente não acredita nenhum pouco nisso, mas o filme segue mostrando que, após a luta, Laurie foi levada para um clínica. Lá está ela, entre o surto e o sedativo, quando Myers aparece novamente para atormentá-la. Dessa vez, porém, a mulher estava com o sangue quente: transcorrida uma rápida perseguição, ela consegue cercar e pendurar o cara num guindaste. Bastaria cortar uma corda e pronto, Myers descansaria até o próximo roteirista ruim (tanto no pessoal, quanto no profissional) revolver ressuscitá-lo. Neste momento, porém, acontece o improvável: afetada por algum tipo de sentimento fraternal, Laura vacila e é empurrada pelo irmão. Antes de cair, num misto de loucura e efeito especial ruim, uma frase de efeito: “Te vejo no inferno”. Segundo o IMDB, a Jamie Lee Curtis só participou de Ressurreição para garantir que seu personagem morreria e não retornaria mais para a série. Dica: ela está no elenco do filme que estreia mês que vem.

Halloween - Ressurreição - Cena 2

Sem Dr. Loomis e sem Laurie Strode, restou ao diretor Rick Rosenthal apresentar um novo grupo de personagens e inventar algo para relaciona-los com o Michael Myers. Esse “algo”, no caso, foi um…. reality show! A coisa funciona mais ou menos assim: um grupo de universitários capitaneados pela doce e inocente Sara (Bianca Kajlich) inscreve-se para participar de um novo programa de televisão cuja ideia é levar pessoas comuns para locais que foram palcos de grandes tragédias. Em sua estreia, o show comandado pelo excêntrico Freddie Harris (Busta Rhymes) visitará a casa da família Myers em Haddonfield. É ou não é a coisa mais absurda que alguém poderia fazer com a série Halloween?

Ressurreição é todo sobre atualizar a linguagem da série para a geração do novo milênio. Fora a proposta nojenta do reality show, o diretor ainda investe tempo em um relacionamento virtual e em mensagens de texto, recursos que Rosenthal utiliza até a exaustão no clímax do filme. Deixa eu contar o óbvio pra vocês: é lógico que o Myers reaparece em sua própria casa e passa a faca em todo mundo. É aí que Sara e Freddie, que estão sendo assistidos ao vivo pelo país inteiro, começa a receber mensagens de texto de seu crush virtual. Com informações valiosíssimas como “He’s in the house! (Ele está na casa!)”, o cara tenta ajudar a moçoila e seu amigo a escaparem do assassino. Fiquei dividido: ora eu ficava espantado com a canastrice do material, ora eu dava risadas do absurdo.

Halloween - Ressurreição - Cena

Falando em risadas, há algo no meio de todo o imbróglio que merece uma menção especial. O personagem Freddie, que é vivido pelo rapper Busta Rhymes, chama o Myers para o braço. É isso mesmo que vocês leram: conhecedor de uma arte marcial qualquer, o cara aplica uma série de golpes no serial killer, todos eles, lógico, acompanhados de gritinhos histéricos e caretas exageradas. Ao meu ver, este momento é o ponto mais baixo que a série chegou até aqui.

Ressurreição não é de todo ruim em seu conteúdo gráfico, já que o diretor não esconde sangue e peitos, mas nem o acerto nestes fundamentos do gênero terror salva o filme de ser, disparado, a pior coisa já feita com o título Halloween até então. Torço para que o próximo lançamento série, que marcará o aniversário de 40 anos do original, reserve algo melhor para o Myers e sua faca gigante.

Halloween - Ressurreição - Cena 3

Halloween H20 – Vinte Anos Depois (1998)

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halloween-h20-vinte-anos-depoisQuando a série Halloween completou 20 anos em 1998 (o primeiro é de 1978), os produtores aproveitaram a data para revitalizar a franquia convidando a atriz Jamie Lee Curtis para voltar ao papel da icônica Laurie Strode.

Laurie, irmã de Michael Myers que acreditava-se ter morrido após o segundo filme, foi retirada do limbo pelos roteiristas de Hollywood que criaram para esta continuação uma história onde a personagem fingiu a própria morte para escapar do insistente assassino de Haddonfield. Com o nome de Keri Tate, ela mudou-se para a California, teve um filho (Josh Hartnett) e tentou continuar a vida, mas dia após dia as lembranças de Myers e sua faca gigante continuavam a atormentá-la. Laurie sabia que, mais cedo ou mais tarde, seu irmão apareceria para um acerto de contas definitivo com ela. A abertura de H20 mostra que esse momento chegou.

Como não poderia deixar de ser, o filme começa numa véspera de feriado de Halloween. As crianças estão correndo nas ruas, as abóboras estão sendo esculpidas e uma velha enfermeira, antiga colega de trabalho do finado Dr. Loomis no sanatório Smith’s Groove, está voltando para casa após um dia de trabalho. Na porta, ela encontra sinais de um possível arrombamento e chama a polícia. Diante da demora da viatura, a enfermeira pede para que alguns garotos da vizinhança (dentre eles, o ator Joseph Gordon-Levitt) ajudem-na a vistoriar a casa. Péssima escolha. Poucos minutos depois, Michael Myers sai do local com as informações que ele procurava sobre o paradeiro de sua irmã e com algumas mortes a mais no currículo.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cenaEm H20, vemos como o Myers foi para a Califórnia atormentar um pouco mais a pobre Laurie Stroder. Para tanto, o roteiro comandado pelo diretor Steve Miner ignora todas as loucuras que aconteceram do terceiro ao sexto filme da série (fábricas de máscaras assassinas, rituais celtas, etc) para concentrar-se no elemento familiar básico que ditou o ritmo dos dois primeiros títulos: Myers quer matar sua irmãzinha. Essa simplicidade, aliada ao retorno da Jamie Lee Curtis, poderia ter feito a série renascer após uma sequências de filmes ruins e inexpressivos, mas não foi bem isso que aconteceu. H20 é ruim demais e percorrer seus parcos 86min foi chatíssimo.

Para um filme que se propôs a celebrar os 20 anos do lançamento do original, é estranho notar o desapego do diretor e do roteiro por certas tradições da franquia. Abertura com a abóbora? Não. Música tema da série tocando insistentemente até quase explodir nossas cabeças? Não. Peitinhos? Não (e olha que a Michelle Williams está no elenco). Sequência rodada com uma câmera em primeira pessoa? Não. Cidade de Haddonfield? Também não. H20 tem o nome Halloween, mas, tirando o Myers e a Stroder, ele também poderia ter qualquer outro título que a gente não ligaria muito.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cena-3O retorno da Jamie Lee Curtis é outro ponto que não funcionou como esperado. A atriz, que debutou nos cinemas no A Noite do Terror, retornou para a série já consagrada após trabalhar com diretores importantes como o James Cameron, mas a real é que a nostalgia que a presença dela deveria provocar não dura mais do que uma cena. Além de não ter deixado o cabelo crescer para o papel (a Stroder original tinha o cabelo grande), a atriz parece estar atuando no automático, com má vontade. As discussões dela com o filho, por exemplo, cenas que poderiam ter uma carga emocional maior, são todas sofríveis.

H20 também peca muito no quesito violência. Seja por opção do diretor ou por censura, a maioria das mortes acontece fora das câmeras. Myers avista uma vítima, caminha em direção a ela, a cena é cortada e, em seguida, vemos um corpo ensanguentado caído no chão. A contagem de corpos também não ajuda: o assassino só começa a trabalhar pra valer depois de uma hora de filme e o rastro deixado por ele é deveras pequeno.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cena-4O último e inevitável confronto entre os irmãos não é dos piores. A forma como ele termina, aliás, é bem legal (e dolorosa), mas há tanta coisa ruim antes da Stroder entrar naquela ambulância que nem mesmo o final brutal salva o pacote. Eu já tinha ficado chateado com o Myers ladrão de carros. Eu já tinha torcido o nariz para a cena em que ele corta a perna de uma menina e a mesma foge sem nenhum pingo de emoção. Eu não gostei do humor bobo do zelador da escola. Mas nada, nada mesmo superou a frustração de ver o Myers tentando usar uma chave para abrir um portão. Isto é o tipo de coisa que você não deve colocar um dos maiores slashers da história do cinema para fazer.

Com 3 filmes bons (os dois primeiros e o quarto) e quatro ruins, o saldo da série volta a ficar negativo. O ponto bom é que agora faltam apenas mais 3 longas (não pretendo rever o remake de 2007 do Rob Zombie). O ruim é que o próximo, Halloween – Ressurreição, é o que tem a nota mais baixa dentre todos os títulos da franquia no IMDB (4.1) 😀

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Halloween 6: A Última Vingança (1995)

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Halloween 6 - A Última VingançaAntes do texto, seguem algumas “curiosidades” sobre a produção desse Halloween 6: A Última Vingança que julguei interessante compartilhar com vocês para reforçar o que será dito na sequência.

Obs.: As informações foram retiradas da página do filme no IMDB e a tradução, não necessariamente literal, fui eu mesmo que fiz.

  • A maioria do elenco e da equipe de produção renegaram o filme. Em entrevistas, eles declararam que o estúdio, os produtores e o diretor interferiram de forma ridícula no processo, o que resultou em um filme com edição e direção medíocres.
  • De acordo com a Daniella Harris (Nota: atriz que aparece no Halloween 4 e 5), a plateia do cinema estava vaiando quando a mãe dela foi assistir o filme.
  • Provocando raiva na maioria do elenco e da equipe de produção, várias refilmagens e edições foram feitas. Devido a essas mudanças, muitos deles juraram nunca mais participar de outro filme da série Halloween.
  • Muitas das cenas do Donald Pleasence (Nota: o protagonista) foram cortadas do filme porque o diretor Joe Chappelle achou-o “tedioso”.
  • O roteiro teve 11 versões diferentes.
  • Muitos membros da equipe de produção disseram que o diretor Joe Chappelle declarou desde o início que ele não gostava dos filmes da série Halloween. Segundo ele, o único motivo para ele ter envolvido-se com o projeto era conseguir um contrato de mais 3 filmes com a produtora (Miramax).

Fiz questão de procurar o contexto em que o filme foi produzido e transcrever aqui as informações que encontrei para que vocês, ao lerem a resenha, não fiquem com a impressão que estou exagerando nas críticas ou que estou de mau humor. Halloween 6: A Última Vingança é uma bosta completa. Só não digo que ele é o pior filme da série que vi até agora porque esse posto permanece sendo do Halloween 3 (um longa que, além de não ter o Michael Myers, tem aquela musiquinha irritante da Silver Shamrock), mas ainda sim trata-se de um derivado extremamente dispensável da história criada pelo John Carpenter.

Halloween 6 - A Última Vingança - CenaAqui, conforme o título original sugere (The Curse of Michael Myers ou A Maldição de Michael Myers), a proposta era contar uma história que fizesse os tradicionais links com os filmes anteriores e, ao mesmo tempo, explicasse como o assassino de Haddonfield adquiriu seus “poderes”. Sabe aquelas habilidades legais como teletransporte, localização aprimorada, imunidade e regeneração infinita que todo vilão de filme de terror possui? O Myers conseguiu as dele após ser amaldiçoado pela Maldição de Thorn, um ritual milenar celta (!!!) que visa oferecer sacrifícios de sangue para garantir a paz na sociedade (!!!²). A única forma de ele ficar livre da maldição é matar todos os membros de sua família (!!!³).

E, fazendo uma rápida recapitulação mental, quem sobrou vivo da família do Myers após 5 filmes? Só a sobrinha dele, Jamie (J.C. Brandy) aquele menininha que termina o Halloween 5 gritando por saber que, mais cedo ou mais tarde, o titio voltaria com sua faca gigante para atormentá-la. Teoricamente, portanto, bastaria o Myers matá-la para ficar livre da maldição, certo? Calma lá, não é tão simples assim. Eis o que acontece:

Halloween 6 - A Última Vingança - Cena 2

  • Jamie é sequestrada, ainda criança, pelo misterioso homem da capa preta do filme anterior. Esse homem tem poderes sobre o Myers. Anos depois. esse homem faz com que o Myers estupre e engravide Jamie em um ritual demoníaco. Dessa perversão, nasce o bebê Steven.
  • Jamie foge do cativeiro levando Steven. Ela liga para uma estação de rádio de Haddonfield e avisa que Myers está voltando. Movimento natural, ninguém acredita nela. Antes de ser localizada e atacada por Myers, ela esconde Steven dentro do banheiro de uma estação de ônibus.
  • O homem da capa preta precisa de Steven para realizar o ritual no qual ele passaria os poderes de Myers para outra pessoa. Junto com o assassino, ele vai para Haddonfield no dia de Halloween procurar pela criança, mas o bebê é encontrado primeiro por Doyle (Paul Rudd, o Homem Formiga, em seu debut cinematográfico), um homem que tornou-se obcecado por Myers após sobreviver a um ataque dele no passado.
  • No meio dessa confusão toda, está um cansado Dr. Loomis (Donald Pleasence) em sua eterna e inglória tentativa de conter Myers e Kara (Marianne Hagan), uma mulher que mora na antiga casa do assassino e cujo filho, Danny, é o escolhido do homem da capa preta para receber a maldição.

Halloween 6 - A Última Vingança - Cena 3Achou confuso? Acredite, eu me esforcei bastante para sintetizar da forma mais simples e direta possível o que vi, mas a grande verdade é que o roteiro de A Última Vingança é um desastre completo. Não por acaso, como listado lá no começo da resenha, reescreveram a história incríveis 11 vezes na tentativa de dar coerência para o material, mas ainda assim o resultado é um filme caótico no sentido mais pejorativo da palavra. A relação do culto celta com o Sanatório Smith’s Grove é forçada, as ligações com os filmes anteriores (feitas principalmente com os personagens Kara e Doyle) não são suficientemente explicadas e a sequência final, além de praticamente ininteligível (como o Donald Pleasence morreu após o término da produção, as tais refilmagens feitas sem ele ficam bizarras), é ruim, frouxa. Dá vontade de vaiar mesmo.

Mesmo com todos os buracos do roteiro e problemas da produção, Halloween 6: A Última Vingança poderia ter dado certo. Sendo bem sincero, os slasher movies (gênero do qual a série faz parte) não são conhecidos por seus roteiros complexos e/ou coerentes. O Halloween 4, por exemplo, tem uma história extremamente básica e é um bom filme. Não dá para esperar algo legal, porém, de um diretor que não gosta da franquia e que trabalhou apenas por obrigação, desrespeitando tanto a equipe de produção como os fãs. Não se faz um Halloween sem a tradicional e divertida abertura com a abóbora. Não se faz um Halloween achando o Donald Pleasence “tedioso”. Não se faz um Halloween com várias mortes (talvez seja o filme que o Myers mais trabalhou até agora), porém todas genéricas e esquecíveis.

Depois desse filme, o diretor Joe Chappelle assinou o contrato que ele queria, dirigiu alguns filmes irrelevantes (ou será que alguém aí é fã do CONHECIDÍSSIMO Caçada Virtual?) e acabou terminando no semi anonimato das séries de TV. Bem feito.

Halloween 6 - A Última Vingança - Cena 4AVISO AOS LEITORES: Pessoal, depois de um semestre bastante cansativo, estou finalmente saindo de férias. Viajo amanhã e volto só no começo de agosto, de modo que o blog deve ficar pelo menos uns 15 dias sem atualizações. Não desistam de mim rs

Abraços

Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers (1989)

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Halloween 5 - A Vingança de Michael MyersAntes de qualquer coisa: Parabéns, Leonardo DiCaprio! Conheci seu trabalho há 19 anos (putz, eu REALMENTE estou ficando velho rs) justamente com o Titanic, mas eu nunca achei que o seu talento resumia-se a viver galãs do cabelinho penteado de lado em blockbusters. Você ganhou e ganhou merecidamente porque sua interpretação, que envolveu aprender novas línguas e sujeitar-se à condições extremas de filmagem, foi MESMO a mais impressionante de 2015: não houve compensação por reveses anteriores, houve justiça.

Volto agora ao ritmo normal do blog com a resenha desse filme horroroso da série Halloween, mas antes divido com vocês os meus comentários sobre os resultados da premiação:

  • A grande surpresa da noite, pelo menos pra mim, foi a derrota do O Regresso na categoria de Melhor Filme. O longa, que havia sido indicado à 12 estatuetas, acabou levando apenas 3 prêmios (Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Fotografia) e acabou ofuscado pelo Spotlight, produção que faz uma denúncia importante mas que não chega propriamente a cativar.
  • No momento mais triste da cerimônia, anunciaram o nome do Mark Rylance quando todos esperavam ouvir “Sylvester Stallone”. É verdade que o Sly (apelido carinhoso que os fãs utilizam para referir-se ao pai do Rocky e do Rambo) foi preterido por um trabalho melhor do que o dele, mas ainda assim não consegui deixar de ficar triste pelo ator, que provavelmente não terá outra chance de ter sua carreira consagrada com um Oscar 😦
  • Mad Max: Estrada da Fúria não levou nenhum dos chamados “prêmios principais”, mas foi muito bom e engraçado ver o título do filme ser anunciado exaustivamente no começo quando estavam sendo revelados os vencedores das “categorias técnicas”. Num dos melhores momentos da noite (melhor até do que quando mostraram um ‘urso’ na plateia batendo palmas rs), a estilosa Jenny Beavan caminhou até o palco para receber o Oscar de Melhor Figurino e a reação de alguns dos presentes ao colete dela foi impagável. Senti-me representado na postura “foda-se o que vocês pensam do meu visual” dela 🙂
  • Acompanhei a premiação pela TNT e, enquanto ouvia os comentários sempre intragáveis do Rubens Ewald Filho, eu estava conectado no Facebook conversando com alguns amigos sobre a cerimônia. Notei então que várias pessoas começaram a falar da participação da Glória Pires na transmissão da Globo e decidi mudar de canal para ver o que era. Meus amigos… Gosto de sinceridade. Um “não tenho condição de opinar” é bem melhor e mais honesto do que um comentário genérico qualquer, mas ir até o maior evento cinematográfico do ano para dizer que um filme é “interessante” é de uma mediocridade medonha. Esse episódio, aliás, explicita o amadorismo que impera em vários setores do jornalismo nacional, que costumeiramente prefere escalar celebridades para comentar assuntos que deveriam serem tratados por profissionais. Triste.

Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers - Cena 2Ver e resenhar os indicados ao Oscar é sempre muito bom e prazeroso, mas também dá um trabalho do cão. Nos últimos 3 meses, por exemplo, os únicos filmes que consegui assistir que não estavam relacionado à premiação foram o Rocky: Um Lutador e o Deadpool. Levando isso em consideração, optei agora pelo Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers porque eu queria ver algo bem tranquilo e fácil de ser assimilado, um filme que estivesse no extremo oposto das produções “mais sérias” que a Academia seleciona anualmente.

Lá em agosto de 2015, quando finalizei o texto do Halloween 4, eu estava bastante esperançoso de que o próximo filme da franquia pudesse ser divertido. O que vi naquela oportunidade não tinha nada de espetacular, mas ainda sim trava-se de um competente “arroz com feijão da série”, ou seja, ele mostrava o assassino de Haddonfield perseguindo seus familiares enquanto matava algumas adolescentes peitudas. Para continuar aquela história, o diretor Dominique Othenin-Girard optou pelo mesmo esquema que já havia sido utilizado no Halloween 2, ou seja, começar o filme resgatando as cenas finais do longa anterior para depois mostrar como deu-se a continuação da vingança de Myers. A repetição na cara dura da estratégia narrativa, no entanto, não é nem de longe o maior problema desse Halloween 5.

Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers - CenaO que vi: Com a ajuda do incansável Dr. Loomis (Donald Pleasence), Rachel (Ellie Cornell) e Jamie (Danielle Harris) conseguem deter Michael Myers temporariamente. Antes de ser fuzilado e explodido com dinamite (!!!) pela polícia de Haddonfield, porém, o assassino consegue estabelecer uma estranha conexão mental com Jamie ao tocar no braço dela. Um ano depois, novamente na noite de Halloween, Myers volta para uma nova tentativa de vingança.

O que gostei: A abertura, aquela parte onde anunciam o nome dos atores e da equipe de produção, é muito boa. O diretor teve a ideia bacana de ir revelando aos poucos a abóbora que simboliza a série enquanto mostra Myers moldando-a com golpes fortíssimos de sua faca gigante. Uma musiquinha tenebrosa é tocada no fundo e, quando o filme de fato começa, ela converte-se no tema clássico composto pelo John Carpenter.

O que não gostei: Como não bastasse a já comentada repetição da fórmula, as cenas de morte de A Vingança de Myers, principal atrativo dos chamados slasher movies, são muito mal executadas. Li no IMDB que o filme precisou sofrer algumas edições para encaixar-se nos padrões exigidos pela censura, o que até tira um pouco da responsabilidade do diretor pela mediocridade do material, mas de qualquer forma não dá para deixar de comentar que esse é o episódio mais “leve” da série que vi até agora no que diz respeito a forma como Myers despacha quem atravessa o caminho dele. Na maioria das mortes, que já não são muitas (nos primeiros 50min, são apenas 2), o assassino surpreende a vítima, a câmera mostra a cara assustada do sujeito e pronto, já vemos o cara morto no chão.

Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers - Cena 3O que eu detestei: Além de quebrar a tradição dos slasher e não mostrar nenhuma mulher nua (o que também pode ser atribuído a censura), Dominique Othenin-Girard investe em uma porção de ideias ruins e, definitivamente, demonstra que não sabe criar climas de tensão. O humor que ele tenta introduzir na série com dois policiais que ficam falando rápido é vergonhoso. A falta de explicação para um personagem misterioso, que aparece vestido todo de preto e ajuda Myers, mais atrapalha do que desperta curiosidade. As cenas da perseguição (onde uma criança consegue correr mais rápido do que um carro) e a do celeiro (pegadinha boba atrás de pegadinha boba) não lembram em nada o medo que provocava a simples visão de Myers atrás um arbusto no primeiro filme.

Veredito “Glória Pires”: Não gostei. Dentro da série, A Vingança de Myers só não é pior do que o bizarríssimo A Noite das Bruxas e, quando vejo que o título do próximo filme é um estrondosamente genérico A Última Vingança, imagino que o pior ainda está por vir.

Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers - Cena 4

Halloween 4: O Retorno de Michael Myers (1988)

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Halloween 4 - O Retorno de Michael MyersO jargão diz que “nada é tão ruim que não possa piorar” e, no caso de sequências de séries de terror que duraram bem mais do que deveriam, isso é uma verdade que eu já verifiquei pelo menos 2 vezes. Hellraiser e O Massacre da Serra Elétrica partiram de longas que apresentavam conceitos e personagens amedrontadores para terminarem, vários episódios depois, em produções ruins e carentes de qualquer traço de originalidade que foram piorando filme após filme. Depois de ver o terceiro Hallloween, tive a impressão de que a franquia do assassino de Haddonfield também seguiria o mesmo caminho rumo a mediocridade. A Noite das Bruxas, além de ser porcamente executado, cometeu o erro gravíssimo de deixar o Michael Myers de fora da história para investir em uma trama de suspense genérica. Felizmente, os produtores parecem ter aprendido a tempo que o nome da série não se vende sozinho (os do Hellraiser não aprenderam) e, com um roteiro e um diretor competentes, saíram do fundo do poço para realizar uma sequência que não deve absolutamente nada para o produto original criado em 1978 pelo John Carpenter, resgatando assim a dignidade da franquia e a confiança do público.

E o que, em se tratando de uma sequência de filme de terror, considero um “roteiro competente”? Basicamente, tu precisa expandir a trama, acrescentando detalhes na história dos personagens, fazer links com os longas anteriores através de citações e respeitar a caracterização e os elementos que tornaram a série conhecida. Não dá, por exemplo, nem sob a alegação de inovar o formato, para levar o Jason para o espaço (Jason X) ou para mostrá-lo no conforto do próprio lar (Sexta-Feira 13 de 2009). Isso destoa tanto quanto fazer um Halloween sem o Myers. Ideias simples mas bem executadas, como a usada pelo diretor Dwight H. Little nesse O Retorno de Michael Myers, funcionam e agradam bem mais do que tentativas pífias de reinventar a roda.

Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers - Cena 5Myers morreu no final de Halloween 2 – O Pesadelo Continua!? Basta trazê-lo de volta, oras! 10 anos após a explosão que aparentemente havia vitimado o assassino no hospital de Haddonfield, um grupo de médicos chega até uma prisão federal para transferi-lo para uma clínica. Myers não morreu, porém ficou completamente queimado e imóvel em cima de uma cama durante uma década. Ignorando os avisos do Dr. Loomis (Donald Pleasence), que diz que nem naquela condição deplorável o sujeito poderia ser considerado inofensivo, o grupo deixa a cadeia, sem grandes preocupações com segurança, levando Myers em uma ambulância. Já na estrada, o assassino desperta de seu estado de letargia, provoca um acidente que mata todos e, livre novamente em um feriado de Hallowen, parte rumo a Haddonfield para uma nova onda de matanças. Dessa vez, seu principal alvo será sua sobrinha Jamie (Danielle Harris) e Rachel (Ellie Cornell), a irmã adotiva dela.

Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers - Cena 4O cenário é o mesmo (Haddonfield), o assassino, felizmente, também é o mesmo (Myers), há uma cena de nudez envolvendo uma mulher peituda e a estrutura do roteiro não mudou (assassinatos na noite de Halloween). O que faz de O Retorno de Michael Myers uma ótima sequência (ainda que repetindo uma fórmula) e um filme relevante dentro da série são os detalhes que foram inseridos na história por Dwight e sua equipe, a começar pelo personagem principal. Nos dois primeiros longas, Michael recebeu vários tiros, foi jogado de uma janela e, naquilo que parecia ser o seu fim, teve o corpo atingido por uma explosão. Nada disso, no entanto, foi o suficiente para detê-lo. Aqui, o justo questionamento do espectador sobre a resistência sobre-humana do vilão começa a ser respondido. Depois de ter matado a própria irmã, Michael transformou-se no mal encarnado. Esqueçam aquele garotinho com roupa de palhaço do A Noite do Terror, ele simplesmente não existe mais. Por trás daquela máscara startrekiana não há um homem atormentado por um crime, mas sim uma entidade sobrenatural demoníaca que, tal qual o conceito de mal, não pode ser vencida ou extirpada de vez do mundo. Isso, obviamente, não faz o menor sentido, mas soa bem legal e assustador quando explicado pelo Dr. Loomis rs

Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers - Cena 2Myers continua matando adolescente libidinosos, usando técnicas cada vez mais brutais no processo (a novidade da vez é o esmagamento de crânio), mas dessa vez o foco dele é outro. Jamie, que nos é apresentada como a filha da Laurie (personagem interpretada pela Jamie Lee Curtis nos dois primeiros longas), é uma garotinha que inicia o filme querendo tomar um sorvete e acaba tendo que escalar o telhado de uma casa para não ser morta pelo titio assassino (Myers e Laurie são irmãos). Crianças, devido a inocência e fragilidade que lhes são intrínsecas, sempre acrescentam um lado sombrio para produções de terror, tanto quando usadas como vilãs (O Iluminado sempre é um bom exemplo), quanto quando são elas as vítimas de adultos psicopatas. Em momentos alternados, Jamie transita entre esses dois papéis e isso, principalmente no final apavorante que resgata a câmera em primeira pessoa, características marcantes da série, acrescenta muito no clima de suspense do filme.

Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers - CenaMesmo que bem superficialmente, Dwight ainda trabalha aqui a questão da histeria coletiva, apontando os perigos de se fazer justiça com as próprias mãos. Após o vigilantismo imperar por vários anos no cinema hollywoodiano (sem, necessariamente, pesar suas consequências), o diretor nos mostra os cidadãos de Haddonfield matando o homem errado enquanto procuravam por Myers. Esse arco da história não é levado muito adiante, mas o incômodo de ver uma vida inocente sendo tirada devido a um impulso de raiva e ódio é algo que nos faz pensar.

Por todos esses motivos (desenvolvimento do mito do Myers, crianças aumentando o suspense, uma leve, ainda que eficaz, crítica social) e pela volta da repetição exaustiva, doentia e legal da música tema (rs), gostei muito de assistir O Retorno de Michael Myers e, de certa forma, recuperei a minha confiança na série, que eu julgava estar indo ladeira abaixo após dois filmes ruins. Será que o próximo episódio conseguiu segurar o nível de qualidade mostrado aqui?

Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers - Cena 3

Halloween 3: A Noite das Bruxas (1982)

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Halloween III - A Noite das BruxasFazer um filme da série Halloween sem o Michael Myers? Pode não, amiguinho. Conta-se que, após a morte do personagem no final do O Pesadelo Continua, a intenção do produtor John Carpenter era prosseguir com a franquia, sem o Myers, contando novas histórias de terror ambientadas naquele mesmo mundo. O primeiro longa desse projeto, A Noite das Bruxas, foi tão mal recebido pelo público que o Carpenter foi praticamente obrigado a ressuscitar o assassino e trazê-lo de volta no Halloween 4. Aqui, engrosso o coro da rejeição e digo-lhes o porque de Halloween 3 ter se tornado o meu novo “pior filme que vi na vida”. Texto com SPOILERS.

Faltam 8 dias para o Halloween, Halloween, Halloween! Faltam 8 dias para o Halloween, Halloween, Halloween, SILVER SHAMROCK! Enquanto eu me perguntava que diabos era Silver Shamrock e tentava furar os tímpanos para não escutar mais essa música, top 10 coisas irritantes que ouvi na vida, vi surgir na tela um sujeito desesperado correndo de um carro. Após despachar um de seus seguidores em uma das piores cenas de luta corporal já feitas, ele esconde-se em um posto de gasolina e liga para a polícia com um terrível aviso: todos, TODOS morrerão!

Sem o assassino de Haddonfield à solta para provocar o pânico das mocinhas de sutiã generosos, a solução encontrada pelo diretor e roteirista Tommy Lee Wallace para realizar essa sequência foi investir em uma conspiração para matar criancinhas no dia de Halloween. O arauto do apocalipse do começo do filme é assassinado posteriormente em um hospital (e quem assiste Game of Thrones certamente lembrará do episódio The Mountain and the Viper) e o médico de plantão (Tom Atkins), desconfiando das circunstâncias que envolveram a morte, junta-se a filha do falecido (Stacey Nelkin) para uma investigação. Sai, portanto, a proposta de “quem será a próxima vítima”, mote típico dos slasher movies, entra algo do tipo “oh meu deus, o que está acontecendo?”, pegada mais característica dos filmes de suspense. Funcionou? Não, caras, deu ridiculamente errado.

Halloween 3 - A Noite das Bruxas - Cena 3De conexões com seus antecessores,  A Noite das Bruxas traz o tema (o feriado de Halloween) e a transmissão do filme original em uma TV em uma determinada parte da trama. Só. O resto é um emaranhado de ideias mequetrefes que foram vendidas a preço de ouro para os fãs da franquia. Eis algumas das bizarrices que podem ser vistas por aqui:

  • A pior cena de luta corporal já feita: Ok, devem existir lutas tão ou mais piores do que essa em outros filmes obscuros por aí, mas é impossível não rir do quão ruim é a sequência que abre o filme. Depois de tropeços, sopapos e tentativas de enforcamento, a briga é decidida por um carro (!) que esmaga o bandido. É importante salientar que o tal carro, que estava inerte, rola apenas uns 2 metros antes de colidir com o cara e ESMAGÁ-LO. Tentem visualizar a situação e compreendam a finesse da coisa toda.
  • Chupada no peitinho: Até mesmo Connor MacLeod, o maior entendedor desse assunto polêmico, ficaria revoltado com a canastrice da única cena de nudez de A Noite das Bruxas. Não há absolutamente NENHUMA química entre os atores Tom Atkins e Stacey Nelkin e ver o primeiro, com seu bigodão mercuriano, lambendo meio que a contra gosto o mamilo da segunda é deveras broxante. O preço pela visão parcial do peitinho (ão) da atriz, aliás, acaba sendo caro demais: ao levantar-se após o vuc vuc, Atkins nos mostra sua horrorsa bunda branca. ARGH!

Halloween 3 - A Noite das Bruxas - Cena 2

  • Vilão fofoqueiro bobão: Michael Meyrs é um psicopata que usa uma máscara do William Shatner e isso é algo difícil de ser superado, mas substitui-lo por um velho almofadinha matador de criancinhas foi imperdoável. As investigações levam o casal até uma cidadezinha no interior de onde uma fábrica exporta máscaras de Halloween para o resto do país. Essas máscaras possuem dispositivos que, se colocados na frente da TV durante a propaganda da empresa (a tal Silver Shamrock), provocarão a morte de quem as estiver usando (a pessoa apodrece instantaneamente e, de dentro dela, saem insetos e cobras rs). Esse plano maligno, o magnata explica didaticamente, é uma volta ao verdadeiro significado da festa de Halloween. A ideia em si não é ruim, mas a execução é sofrível: o ricaço, que até então matara de imediato todos aqueles que descobriram seus planos (incluindo o doidão que aparece fugindo no início e uma loira em um hospital), faz uma tour ridícula e sem propósito com os personagens por sua fábrica explicando seus intentos. Aqui fica difícil esquecer o Meyrs e seu pragmatismo “movimentou = morreu”.

Halloween 3 - A Noite das Bruxas - Cena 4Ainda que eu tenha gostado do final aberto que deixa a gente sem saber se, de fato, todas as criancinhas foram ou não mortas por máscaras de Halloween assassinas (rs), não posso esconder a minha preguiça para com a cena que antecede a conclusão. O tal médico consegue escapar da fábrica (que, obviamente, explode) e, tal qual o maluco do começo, vê-se envolvido em uma luta corporal tosca com …. adivinhem…. sua própria namorada que fora transformada em um robô assassino! Caras…. nem sei mais o que dizer. Halloween 3: A Noite das Bruxas é um sub produto sem vergonha de uma franquia mediana, um filme que fez por merecer todas as críticas que recebeu na época de seu lançamento e cujo único mérito foi comprovar a necessidade do Meyrs na série.

Halloween 3 - A Noite das Bruxas - Cena