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Halloween (2018)

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Halloween 2018Ode à tolerância: tenho MUITA birra com atraso. Marcar algo comigo e chegar mais de 10min depois do horário combinado (sem uma boa explicação) é pedir para me encontrar de cara amarrada. Numa sexta feira aí (26/10), porém, fui beneficiado por um atraso. Após um compromisso que acabou durando mais do que o esperado, corri em direção a um dos shoppings da cidade com a intenção de pegar a sessão do Halloween das 15hrs. Estaciona, sobe a escada rolante naquele pique de academia, vai até a máquina de autoatendimento e… 15hrs15min. “Putz, perdi os trailers e o início do filme”, pensei. Como a merda já estava feita, ainda gastei mais uns 5min comprando pipoca e refrigerante antes de entrar na sala do cinema, momento em que imaginei que já veria o Michael Myers enfiando a faca em alguém mas que, para a minha surpresa (e alegria!), os trailers estavam apenas começando. A sessão atrasou. Ri sozinho pensando no quanto já fiquei puto de raiva porque alguém me deixou 10/15min esperando. São nessas pequenas ironias de vida que a gente vai colocando o pé no chão e amadurecendo.

A fé nesse novo Halloween era pouca. Terminei meu último texto da série dizendo que eu torcia pela produção, mas a verdade é que, após muitas decepções, eu já havia desistido de ver algo que fizesse justiça à criação do John Carpenter. O saldo cinematográfico do assassino de Haddonfield, depois de porcarias como A Última Vingança, é muito negativo. Tendo como base o que vi aqui, porém, há razões para acreditar que o jogo poder virar. Assinado pelo diretor David Gordon Green, Halloween é um passo inteligente para o reboot da franquia, pois, ao ignorar todas as sequências do orignal, ele apresenta uma continuação direta dos eventos vistos no filme de 1978, decisão que garante uma boa dose de nostalgia e que abre caminho para novas e revitalizadas produções com o Myers.

Halloween 2018 - Cena 3

A trama respeita o tempo passado no mundo real e também acontece 40 anos depois (1978-2018) do primeiro confronto entre os irmãos Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e Michael Myers. Ele foi internado em um hospital psiquiátrico, ela teve uma vida marcada pelo trauma daquela fatídica noite de Halloween. Laurie até tentou seguir a vida: casou, teve uma filha e ganhou uma neta, mas a obsessão que ela desenvolveu com um possível retorno do irmão transformaram-na em uma pessoa paranoica e indesejável. Isolada da família, Laurie opta por viver em uma casa no campo, casa que ela transforma em uma fortaleza na expectativa de, um dia, enfrentar Michael novamente.

A inevitável “reunião” começa a tomar forma quando um casal de jornalistas visita Michael no hospital psiquiátrico. Eles, que são do tipo que ganham a vida resgatando casos polêmicos do passado, pretendiam obter alguma informação do famoso assassino de Haddonfield. A cena onde a “entrevista” acontece é boa demais: aquele pátio enorme, com o Michael preso em correntes e cercado por um bando de desajustados, é, fácil, um dos melhores cenários já vistos na franquia. Ali, acontece o erro que trará destruição e morte para um número sem fim de pessoas: na ânsia de arrancar alguma palavra ou confissão do assassino, o jornalista mostra-lhe a famosa máscara (isso mesmo, a tal baseada no rostinho bonito do William Shatner). Big mistake, motherfucker: o cara fica possesso e, no dia seguinte, aproveita a transferência dos internos para fugir.

Halloween 2018 - Cena 4

A fuga, como não poderia deixar de ser, acontece no dia de Halloween. Primeiro, Michael trata de recuperar sua máscara e de conseguir uma faca gigante, depois, ele anda novamente pelas ruas de Haddonfield matando pessoas aleatórias que participam do “doces ou travessura”. É nesse ínterim que o assassino vai atrás não de sua irmã, que estava trancada em uma fortaleza na floresta, mas de sua inocente e avoada sobrinha, Allyson (Andi Matichak), o que obriga Laurie a abandonar o isolamento e tomar medidas para proteger sua família.

O diretor David Gordon Green atualizou a linguagem de Halloween acrescentando no longa a violência gráfica explícita típica de produções recentes do gênero. A cena em que o Myers pisoteia a cabeça de um infeliz até transformá-la em uma massa disforme de carne e ossos, por exemplo, não deve nada para “filmes podreiras” como O Albergue e Jogos Mortais. A utilização de elementos do presente ainda garante uma cena sinistra e espetacular com um sensor de movimento em um jardim (pobre gordinho!), mas também há espaço para o material clássico, a começar pela abertura. A fonte do título, a abóbora em stop motion e a musiquinha infernal: está tudo lá. Os fãs mais hardcore ainda notarão semelhanças com os outros longas da série que, apesar de não serem incluídos na cronologia, foram homenageados pelo diretor com a inclusão de diversos easter eggs: particularmente, gostei da recriação da cena em que o Michael consegue a faca na cozinha (Halloween 2) e das fantasias das crianças na rua (Halloween 3). Também chama a atenção a semelhança/homenagem com o roteiro do Psicose, quando personagens importantes são eliminados no meio da trama, deixando a gente sem reação.

Halloween 2018 - Cena 2

Ainda no campo da nostalgia, é muito bom que tenham resetado a linha do tempo para que a Jamie Lee Curtis pudesse voltar a interpretar a Laurie Strode. Depois de ser descartada da forma mais idiota do mundo no Halloween: Ressurreição, a personagem volta para um pega pra capar épico com seu algoz. Rola de tudo: arremessos, tiro na cara, tiro nos dedos, incineração e desrespeito. Mas não é Laurie Strode que protagoniza a melhor cena de Halloween. Numa ousadia com poucos precedentes, o diretor David Gordon Green teve culhões para colocar o Myers enfrentando uma criança. O resultado não é bom apenas pela coragem do cineasta de enfrentar um dos maiores tabus do cinema, mas também por toda a construção do clima sombrio da cena. Saca só:

“Pai e filho num carro na estrada à noite. Acidente de ônibus bloqueando a via. A gente SABE que o Myers estava no ônibus. O pai sai para verificar a situação e NÃO VOLTA. O menino, que a poucos instantes estava dizendo que só queria fazer aulas de dança, pega uma espingarda e desce do carro, gritando pelo nome do pai. Escuridão TOTAL. O Myers aparece.

Foda, né? Halloween é muito bom. Esta resenha está saindo com um pouco de atraso (é a proximidade do fim do ano letivo acabando com o meu tempo livre), mas, se ainda for possível, tentem assisti-lo no cinema, vale muito a pena. Todo caso, se vocês perderem esse, não se preocupem, porque é praticamente impossível que não haja uma continuação, tanto porque a produção foi muitíssimo bem nas bilheterias quanto porque, nos créditos, confirma-se outra tradição da série: após tomar uma sova épica, a respiração ofegante de Myers confirma sua imortalidade e seu inevitável retorno. Pobre Laurie Strode! 😆

Halloween 2018 - Cena

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Audição (1999)

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AudiçãoAudição tem pedigree. Numa entrevista sobre filmes das décadas de 90/10, o diretor Quentin Tarantino referiu-se a ele como “uma verdadeira obra prima” do período. O também diretor e músico Rob Zombie disse que Audição é “o filme de terror mais assustador e inquietante que ele já assistiu”. Pra quem não for capaz de ligar “o nome aos bois”, temos aí duas das maiores autoridades em sanguinolência/podreira cinematográfica contemporâneas elogiando o trabalho do diretor japonês Takashi Miike. Obrigatório ver, né?

Coloquei o filme pra rodar ontem a tarde e, vencida a primeira metade, fiquei sem entender o porque do mesmo ser classificado como terror. Pausei, saí, tomei sustos reais com as filas pra comprar cerveja de um festival local (média de 40min pra pegar um copo) e hoje à tarde terminei de assistir. Já tem bem umas 5 horas que os créditos finais subiram e meu estômago ainda está embrulhado. O texto conterá SPOILERS.

Eis o roteiro: Shigeharu Aoyama (Ryo Ishibashi) é um homem de meia idade que vê-se sozinho com um filho para criar após o falecimento de sua esposa. Anos depois, respeitado o luto e com o filho já adolescente, Shigeharu decide que é hora de encontrar uma nova companheira. Para tal, um amigo da indústria do cinema convida-o para ajuda-lo em uma audição para um filme, oportunidade onde várias moças apresentam-se aos entrevistadores em busca de um papel. É nesse cenário que o personagem conhece a bela e misteriosa Asami Yamazaki (Eihi Shiina).

Até o temporizador contabilizar os primeiros 60 minutos (de um total de 01h55min), Audição é um drama/romance com pitadas de humor. A sequência que mostra as entrevistas das moças, por exemplo, foi montada de forma a nos fazer rir com as bizarrices das candidatas, fórmula que programas de auditório como o “Ídolos” sempre utilizam em seus inícios de temporada. Depois disso, resta a fofura do amor de Shigeharu por Asami. O cara, um cinquentão, fica todo nervoso quando está perto da personagem, faz planos de futuro com ela e sofre ao lado do telefone, contendo-se para não ligar de minuto em minuto. Asami, que revela-se uma pessoa solitária, também mostra-se interessada em um relacionamento, logo vemos sorrisos, olhares sonhadores e passeios de mãos dadas. Esse clima leve dura até o momento…

Audição - Cena 2

…. em que o diretor Takashi Miike nos mostra Asami sentada no chão, descabelada e com a coluna completamente curvada, olhando obsessivamente para o telefone. “Mas que diabos é isso?” Em sua “segunda parte”, Audição explora o passado de Asami para revelar uma história tenebrosa de abuso físico e psicológico. Criada no seio de uma família disfuncional, a infância da personagem foi marcada por barbáries como ter suas pernas marcadas com ferro quente por um padrasto doentio. Não é à toa que, adulta, Asami mente quando perguntada sobre seus parentes e demonstra preocupação sobre as intenções de Shigeharu com ela.

Todo caso, não é só a exposição do passado de Asami que deixa a gente chocado. A coisa é feia, mas lá no começo eu disse que fiquei com o estômago embrulhado. No primeiro parágrafo, aliás, eu também disse que Audição foi elogiado pelo Tarantino, e é nos últimos minutos do longa que eu entendi o porque dessa admiração: temos aqui uma história clássica de vingança, tema favorito do diretor de Kill Bill e Django Livre. Shigeharu e Asami hospedam-se em um hotel. Conversa vai, conversa vem, ela tira a roupa e decide entregar-se ao sujeito. O que acontece em seguida é deveras confuso, porque a gente não sabe ao certo se trata-se de um sonho ou de realidade (é preciso ver o filme para entender esta dúvida), mas é violento o suficiente pra fazer a gente contorcer-se na cadeira e querer tirar os olhos da tela de 5 em 5 segundos.

Audição - Cena

Shigeharu é um senhor legal em busca de um amor? Sim, mas ele também é um velho safado que valeu-se de um ambiente podre para selecionar uma esposa. Podre? Sim, de engraçado as tais audições não tem nada: mulheres humilham-se diante de homens indiferentes aos seus sonhos, homens que estão mais interessados em seus corpos do que em seus talentos. Shigeharu até interessa-se por Asami devido a tragicidade de sua história, mas ele também seleciona-a por sua beleza, juventude e mansidão. Essa mudança de ponto de vista do relacionamento do casal culmina na vingança de Asami, que realiza um acerto de contas com o passado e faz de Shigeharu um exemplo para os outros homens que tratam mulheres como objeto.

Audição - Cena 4

“No fundo, bem lá fundo” e “Esse arame pode cortar carne e osso facilmente” são duas frases que eu demorarei um bom tempo para esquecer. O que Asami faz com Shigeharu (ou que ele sonha que ela faz, não importa) é explícito demais, perturbador demais. Pra piorar, enquanto joga sangue na nossa cara, o diretor Takashi Miike coloca Asami no centro da tela, com um sorriso demoníaco de criança arteira, sussurrando e explicando o passo a passo de sua tortura. “Você não poder ir a lugar algum sem os pés”. Puta que pariu!

Tenho que concordar com o Tarantino: dentro do que esse propõe, Audição é realmente uma obra-prima. Fora a angústia absoluta que a última cena é capaz de provocar, bato palmas também para a engenhosidade do roteiro, que consegue nos mostrar pontos de vista distintos sobre a relação dos personagens e que transita bem entre gêneros tão díspares como romance e terror. Recomendadíssimo.

Obs.1: Não assistam depois do almoço. É sério.

Obs.2: O clipe Honey, This Mirror Isn’t Big Enough for the Two of Us do My Chemical Romance é baseado no roteiro de Audição.

Audição - Cena 3

Halloween: Ressurreição (2002)

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Halloween - RessurreiçãoCom mais um Halloween prestes a sair do forno (pasmem: será o décimo primeiro!), resolvi retomar minha cobertura da série e assisti esse Ressurreição, oitava episódio da saga do serial killer de Haddonfield. O texto conterá SPOILERS.

Façam-me um favor: olhem o poster ao lado. Em tradução livre, disseram que o filme é “aterrorizante” e “bom pra caralho”. Nada poderia ser mais distante da realidade. Ressurreição é um amontado de sem-vergonhices e ideias ruins que reuniram e resolveram chamar de Halloween, a começar pela “desculpa” que utilizaram para trazer o Michael Myers de volta.

O longa anterior, H20 – Vinte Anos Depois, terminou com a Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) arrancando a cabeça do Myers com um machado. Convenhamos que é um desfecho difícil de ser contornado, mas a solução encontrada beira o amadorismo: antes de confrontar sua irmã, Myers trocou de roupa com um paramédico, esmagando as cordas vocais do cara para que ele não pudesse denunciar sua identidade. Isso é explicado assim, PA, PA, POW! logo nos dois primeiros minutos. A gente não acredita nenhum pouco nisso, mas o filme segue mostrando que, após a luta, Laurie foi levada para um clínica. Lá está ela, entre o surto e o sedativo, quando Myers aparece novamente para atormentá-la. Dessa vez, porém, a mulher estava com o sangue quente: transcorrida uma rápida perseguição, ela consegue cercar e pendurar o cara num guindaste. Bastaria cortar uma corda e pronto, Myers descansaria até o próximo roteirista ruim (tanto no pessoal, quanto no profissional) revolver ressuscitá-lo. Neste momento, porém, acontece o improvável: afetada por algum tipo de sentimento fraternal, Laura vacila e é empurrada pelo irmão. Antes de cair, num misto de loucura e efeito especial ruim, uma frase de efeito: “Te vejo no inferno”. Segundo o IMDB, a Jamie Lee Curtis só participou de Ressurreição para garantir que seu personagem morreria e não retornaria mais para a série. Dica: ela está no elenco do filme que estreia mês que vem.

Halloween - Ressurreição - Cena 2

Sem Dr. Loomis e sem Laurie Strode, restou ao diretor Rick Rosenthal apresentar um novo grupo de personagens e inventar algo para relaciona-los com o Michael Myers. Esse “algo”, no caso, foi um…. reality show! A coisa funciona mais ou menos assim: um grupo de universitários capitaneados pela doce e inocente Sara (Bianca Kajlich) inscreve-se para participar de um novo programa de televisão cuja ideia é levar pessoas comuns para locais que foram palcos de grandes tragédias. Em sua estreia, o show comandado pelo excêntrico Freddie Harris (Busta Rhymes) visitará a casa da família Myers em Haddonfield. É ou não é a coisa mais absurda que alguém poderia fazer com a série Halloween?

Ressurreição é todo sobre atualizar a linguagem da série para a geração do novo milênio. Fora a proposta nojenta do reality show, o diretor ainda investe tempo em um relacionamento virtual e em mensagens de texto, recursos que Rosenthal utiliza até a exaustão no clímax do filme. Deixa eu contar o óbvio pra vocês: é lógico que o Myers reaparece em sua própria casa e passa a faca em todo mundo. É aí que Sara e Freddie, que estão sendo assistidos ao vivo pelo país inteiro, começa a receber mensagens de texto de seu crush virtual. Com informações valiosíssimas como “He’s in the house! (Ele está na casa!)”, o cara tenta ajudar a moçoila e seu amigo a escaparem do assassino. Fiquei dividido: ora eu ficava espantado com a canastrice do material, ora eu dava risadas do absurdo.

Halloween - Ressurreição - Cena

Falando em risadas, há algo no meio de todo o imbróglio que merece uma menção especial. O personagem Freddie, que é vivido pelo rapper Busta Rhymes, chama o Myers para o braço. É isso mesmo que vocês leram: conhecedor de uma arte marcial qualquer, o cara aplica uma série de golpes no serial killer, todos eles, lógico, acompanhados de gritinhos histéricos e caretas exageradas. Ao meu ver, este momento é o ponto mais baixo que a série chegou até aqui.

Ressurreição não é de todo ruim em seu conteúdo gráfico, já que o diretor não esconde sangue e peitos, mas nem o acerto nestes fundamentos do gênero terror salva o filme de ser, disparado, a pior coisa já feita com o título Halloween até então. Torço para que o próximo lançamento série, que marcará o aniversário de 40 anos do original, reserve algo melhor para o Myers e sua faca gigante.

Halloween - Ressurreição - Cena 3

O Predador (2018)

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O PredadorO primeiro Predador, aquele de 1987 com o Schwarzenegger (como é difícil escrever esse nome 😀 ), foi um marco na minha infância. Contrariando as recomendações da minha avó, fiquei acordado até tarde assistindo o filme na Tela  Quente e, no outro dia, eu mal consegui sair de casa de tão assustado que eu estava. Não me julguem: eu tinha menos de 10 anos e estava de férias em uma fazenda. Tinha mato para todo lado e, no mato, CERTAMENTE tinha o Predador, aquele bicho feio que ficava camuflado aguardando a oportunidade para arrancar a medula dos outros.

Cresci, fiquei chato cético, arrumei contas para pagar e não voltei mais na tal fazenda. Nisso, o Predador também abandonou a floresta e foi para a cidade, primeiro naquela sequência esquecível de 1990, depois no Alien vs Predador 2, que é, disparado, a pior porcaria que já fizeram com o personagem. O “ugly motherfucker” (como ele é conhecido pelos fãs da série) ainda apareceu no Alien vs Predador (praticamente como coadjuvante do Alien e da moçoila lá) e no Predadores, filme que sofreu com uma censura “14 anos” (cadê o sangue?) e com um roteiro ruim (ou vai falar que vocês gostaram daquela mistura de BBB com No Limite?).

Resumindo, apesar de ter marcado minha infância, o Predador tornou-se uma fonte contínua de decepção na minha vida adulta. Assim sendo, fui assistir esse O Predador sem muitas expectativas, apenas torcendo para que o filme fosse ambientado em alguma floresta (Predador tem que ser no mato, caras). Sessão começou e, apesar do Cinemark ter me sacaneado (comprei legendado, o filme era dublado), fiquei empolgado com o que vi: após uma rápida batalha no espaço, a nave de um Predador cai em nosso planeta numa linda, escura e perigosa floresta *.* É uma pena que, após isso, a coisa desande totalmente.

Predador - Cena 3

Além de deslocar o cenário para a cidade, o filme do diretor Shane Black (que também comandou esta bomba aqui) requenta uma infinidade de clichês do gênero ação e falha miseravelmente em assustar quem tá pagando R$5,25 no litro da gasolina. Tão logo a nave do Predador cai na floresta, o atirador de elite Quinn McKenna (Boyd Holbrook) e seu pelotão chegam no local e tem um breve confronto com o monstro. Único a sobreviver ao massacre e temeroso que o governo apague sua memória, McKenna envia para sua casa, via correio (!!!), parte do equipamento do alienígena como prova do horror que ele viu. Paralelamente ao interrogatório ao qual o personagem é submetido, vemos que um segundo Predador, maior e mais forte do que o enfrentado por McKenna, chega ao planeta e inicia uma busca por seu semelhante.

O Predador tem uma criança super inteligente que fala coisas esquisitas, uma família separada que une-se devido a um conflito, uma cientista sexy empoderada (Olivia Munn) e um grupo de pessoas socialmente desajustadas que encarrega-se da tarefa de eliminar a ameaça alienígena. Sem nada de novo em sua estrutura dramática, o roteiro investe em expandir a mitologia de seu personagem principal, e o faz de forma bizarra: interessados em tonarem-se cada vez mais fortes, os saiyajins Predadores começam a misturar seu DNA com o de guerreiros fortes que eles encontram ao redor do universo, inclusive os humanos. Nisso, o filme nos apresenta um super Predador de quase 3 metros de altura, um híbrido extremamente letal que, junto com seus cachorros predadores, elevará a contagem de corpos estraçalhados na tela.

Predador - Cena 2

Não, vocês não leram errado. O diretor Shane Black utiliza “cachorros predadores” para aumentar a ação, ideia tão ruim quanto o fato da história, mais uma vez, desenvolver-se em ambiente urbano. Todo aquele clima de caça e terror presentes no primeiro filme (lembram do cara escondido num tronco dizendo ‘eu vejo ele’?) perdem-se quando vemos os personagens correndo de uma aberração canina dentro de uma casa. Pra piorar, as cenas de ação sempre vem acompanhadas de algum tipo de piadinha, mal este que não é exclusivo de O Predador: atualmente, quase todas as produções optam por quebrar a tensão de sequências perturbadoras com algum tipo de humor. Acho isso bosta demais.

Há sangue e vísceras em O Predador, mas a cena mais gore do longa mostra um sangue verde, produto do confronto entre os dois monstros (o predador normal e o predador bombadão). É muito pouco. Outro Predador, outra decepção. Na parte intermediária, alias, travei uma luta fodida contra o sono, que bateu impiedoso devido ao horário (peguei a primeira sessão após o almoço) e à falta de emoção do pacote. E se eu ainda tivesse 10 anos? Será que eu gostaria do filme e teria pesadelos com ele? Difícil imaginar: o que assusta uma geração acostumada a jogar Minecraft e a beber Fanta Guaraná? Cachorros predadores? Não mesmo.

Predador - Cena

A Freira (2018)

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A FreiraAno passado, quando eu estava cogitando encerrar o blog, umas das ideias que mais me seduziram a chutar o pau da barraca foi pensar que, se o fizesse, eu poderia ver quantos filmes eu quisesse sem a necessidade de, depois, gastar 4 horas escrevendo resenhas. Em meus devaneios, eu voltaria direto para 2010, época em que eu chegava a assistir 2-3 longas por dia. No início até deu certo: a série Invocação do Mal, por exemplo, eu maratonei numa tarde. Depois, progressivamente, meu interesse por cinema foi migrando para o videogame (comprei um PSP e um Playstation 4, além de gastar MUITAS horas no mobile Final Fantasy Brave Exvius) e, quando percebi, eu já estava passando meses inteiros sem ver um título sequer. O problema, como acabei percebendo, não era somente o cansaço de escrever: por mais chato que seja admitir, eu havia enjoado um pouco de filmes. Parar me fez bem.

Parei, descansei e voltei, e, mesmo não guardando boas recordações da série Invocação do Mal, (resumidamente, trata-se do que há de mais genérico na tradição derivada do O Exorcista), decidi aproveitar o feriado de 7 de setembro para assistir este A Freira, quinto (!!!) título da franquia. Sim, meus amigos, eu não tenho um pingo de amor próprio: eu fui no shopping, num feriado, assistir (na estreia!) um filme de terror para adolescente. Não tinha como dar certo e, de fato, não deu.

A Freira - Cena 3

O ano é 1952 e o lugar é a Romênia. 2 freiras são atacadas por uma força demoníaca: uma delas perece ao ser arrastada diretamente para a escuridão e a outra, para evitar ser possuída, comete suicídio saltando da janela da abadia com uma corda amarrada no pescoço. Um fazendeiro (Jonas Bloquet) encontra o corpo e a notícia acaba chamando a atenção do Vaticano, que designa o Padre Burke (Demián Bichir) para investigar o caso. Seguindo orientações superiores, o Padre parte para o local na companhia da Irmã Irene (Taissa Farmiga), noviça que ajudaria-o a encontrar o fazendeiro e explorar os arredores da abadia.

A Freira repete a fórmula do Annabelle ao pegar um personagem feioso de Invocação do Mal e dar-lhe um filme próprio para contar sua origem. E não é que o negócio começa bem? Gostei bastante do clima claustrofóbico da cena inicial e do som estouradão e perturbador da corda rangendo após o suicídio da freira. Depois disso, veio o divisor de águas de qualidade: a cena do fazendeiro, doravante Francês (é assim que ele é chamado na maior parte do tempo) no cemitério.

A Freira - Cena

O clima foi muitíssimo bem construído: noite, luz somente da lua e de um lampião que o sujeito, trêmulo, segura enquanto caminha no meio das lápides. O silêncio só é interrompido pela respiração ofegante do cara e por .. PQP! VTNC! O QUE É ISSO, CARALHO?! (CHUTA A CADEIRA DA FRENTE) Por mais que fosse óbvio que algo aconteceria naquele momento, a construção da cena foi tão primorosa que o cinema inteiro gritou tomado pelo pânico. Ponto para o diretor Corin Hardy. É uma pena, porém, que na sequência ele tenha optado por fazer o público rir. Após brigar com uma cria do demo, o Francês arranca uma cruz do chão e sai correndo, da forma mais cômica possível, rumo ao bar. Essa dinâmica (susto seguido de risada) é um truque velho dos filmes de terror (há até o subgênero terrir para classificar trabalhos assim), mas, ao meu ver, ela é a grande responsável por A Freira não funcionar: não dá para levar o filme a sério. Sempre que algo assustador acontece, logo em seguida vem uma piadinha para aliviar o clima. Pra piorar, nem os personagens ficam assustados com o que veem: num momento, o Padre está enterrado vivo dentro de um caixão, daí a cena corta e, na sequência, ele está andando e conversando como se nada tivesse acontecido. Haja sangue frio (ou talvez seja só problemas de continuidade mesmo).

A Freira - Cena 2

Pra finalizar, um comentário rápido sobre o tal “shopping no feriado”. A Freira é claramente um produto voltado para o público adolescente. O romancezinho, o tom leve das provocações religiosas (Meu Deus! Que pecado! Uma cruz invertida!) e as artimanhas baratas da maioria dos sustos (o vulto que aparece ao fundo e, sabe-se lá porquê, anda sempre pra esquerda, desaparecendo da tela) não são elementos pensados para quem luta no final do mês para pagar as contas. Quem é Valak perto da fatura do cartão de crédito? Todo caso, mesmo sabendo que eu era o “intruso” ali, não consegui deixar de reparar na falta de educação do público, que não só gritou e riu alto nas cenas que inspiravam tais reações, mas também conversou o tempo todo, mexeu no celular o tempo todo (é um ponto de luz num ambiente escuro, caras) e fez gracinha o tempo todo. “Olha o bicho vindo, meu irmão” (isso foi repetido 7x durante a sessão; sim, eu contei), “Ai, eu vou embora!” (não foi), “dá licença que nóis qué mijá” (citação ipsis litteris), “nunca mais venho no cinema” (duvido, mas amém). No fim, a experiência “Shopping no feriado” foi muito mais perturbadora do que o A Freira: adolescentes em bando fazendo gracinha dentro do cinema, eis a verdadeira manifestação do cão neste mundo ruim.

A Freira - Cena 4

Alien: Covenant (2017)

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Eu gostei MUITO do Prometheus. Já passaram-se 5 anos desde que o Ridley Scott resolveu revisitar a franquia Alien e explorar as origens daquele universo, mas ainda lembro como se fosse ontem do quão empolgado eu fiquei quando saí do cinema após ver aquela história sobre Arquitetos, androides e a busca pela origem da vida.

Aparentemente, porém, nem todo mundo gostou do que viu. Clicando aqui, você lê uma nota sobre as mudanças que o diretor precisou fazer nessa sequência devido a rejeição de boa parte do público ao que foi mostrado no Prometheus. Nunca saberemos se Paradise Lost (Paraíso Perdido), a ideia que ele planejou originalmente para a sequência, calaria a boca dos críticos, mas é fato consumado que Alien: Covenant, com seus cenários equivocados e repetições, representa um passo atrás para a franquia.

A resenha conterá SPOILERS do Prometheus, ok?

É no espaço, aquele lugar onde ninguém te ouvirá gritar, que começa Covenant. Responsável pela nave cujo nome dá título ao filme, o androide Walter (Michael Fassbender) cuida para que a tripulação permaneça no sono criogênico até que o destino, um planeta distante que apresenta características semelhantes as da Terra, seja alcançado. Um incidente coloca em risco a integridade da nave e obriga Walter a acordar o pessoal antes da hora. Mesmo abalados pelas severas avarias e pela perda de seu capitão (participação relâmpago do James Franco), os membros da tripulação decidem interromper a viagem para checar um sinal de vida captado pela Covenant durante o tumulto. Daniels (Katherine Waterson) é a única que opõe-se a ideia de abandonar a missão original, mas seus argumentos são vencidos pela determinação do novo capitão, Oram (Billy Crudup), um homem de fé que acredita estar diante de uma oportunidade única de visitar e colonizar um novo planeta.

Quando assisti o trailer do Covenant, fiquei curioso para ver como todos aqueles cenários abertos seriam usados em uma franquia que, no princípio, valeu-se dos corredores escuros da nave Nostromo para criar uma ambientação claustrofóbica. Campos de trigo e florestas certamente ficam muito bonitos numa tela grande de alta definição, mas desconfiei que essas locações não funcionariam para o filme. E não funcionaram. O Alien não é o Predador, Ridley Scott. Não foi legal (e não deu medo) ver o xenomorfo esgueirando-se no meio daquele matagal e, na segunda metade da trama, toda aquela sequência na cidade abandonada (outro lugar enorme e aberto) foi apenas tediosa.

Se, ao tentar inovar, o diretor errou a mão, ele também não teve muita sorte quando apegou-se aos elementos clássicos da série. Estão lá a tradicional cena do peito explodindo de dentro pra fora, a protagonista seminua de cabelo curto, o androide traíra e o confronto final entre humanos e criatura. Não que essas cenas sejam ruins, mas a proximidade delas com o que já foi usado nos longas anteriores torna o material pra lá de previsível. Comparem a “batalha final” de Covenant com o clímax do Oitavo Passageiro. É praticamente a mesma coisa.

“Ah, mas você reclama quando o cara muda os cenários e também reclama quando ele repete certos elementos. Incoerência”. Reclamo mesmo. Não é incoerência. O problema aqui não é a mudança e/ou a repetição em si, mas a qualidade do que foi feito. A nova ambientação é ruim (botaram o alien no meio de um matinho, caras) e não foi lá muito surpreendente o fato de, mais uma vez, utilizarem o espaço como esquife para o xenomorfo.

A parte boa de Covenant acaba sendo justamente o desenvolvimento das teorias sobre a criação que foram mostradas no Prometheus. David e Elizabeth “retornam” à trama para reforçar a ideia de que a vida na Terra foi criada não pelo Deus bíblico, mas sim por viajantes espaciais que, aparentemente, não ficaram muito satisfeitos com sua criação e preparam-se para elimina-la. A primeira cena do filme, aquela que mostra David conversando sobre a essência da vida com seu criador, Peter Weyland (Guy Pearce), é disparado o momento mais inspirado de Covenant. O diálogo, que traz reminiscências do clássico Frankenstein (a criatura que levante-se contra o próprio criador) é bastante útil para entender a mudança de comportamento de David ao longo de Prometheus e contribui significativamente para que, no fim deste filme, a gente entenda com alguma antecedência o que acontecerá.

Alien: Covenant era uma das produções que eu mais queria assistir em 2017. Sabe quando anunciam aquelas listas de lançamentos do ano seguinte? Pois é, eu estava doido para ver este filme. Reservei uma tarde de sexta da minha semana, que é sempre muito corrida, só para ir ao cinema. Vibrei com a cena inicial que comentei no parágrafo anterior, mas após isso vi o Alien ser transformado em coadjuvante dentro de sua própria franquia e não gostei nenhum pouco disso. Nem o enorme talento do Fassbender justifica tamanho sacrilégio. A parte da ficção científica de Covenant é muito bem feita, com todos aqueles equipamentos high tech e naves espaciais enchendo a tela, mas há pouco terror, sangue e ácido alienígena aqui. Não deu certo, Ridley Scott. Da próxima vez, segue o plano original.

Corra! (2017)

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Querido leitor: dentre as situações abaixo, qual tu considera mais assustadora?

  1. Programar uma ida ao cinema na única noite livre que você tem na semana e, chegando lá, descobrir que o filme que você quer assistir (no caso, o Alien: Covenant) só está disponível na versão dublada.
  2. Acordar no meio da madrugada, durante uma  viagem de ônibus interestadual, com o passageiro ao lado passando a mão nas suas partes íntimas.
  3. Acordar no meio da madrugada com o próprio capiroto gritando dentro da sua casa. Após sair da cama e ir verificar o que aconteceu, você descobre que um gato preto pulou a janela e tentou atacar sua gatinha, que defendeu-se como pode.
  4. Um filme de terror que desperdiça uma ideia bacana ao quebrar constantemente o clima de suspense com piadas bobas .

1) Continuo morrendo de medo dessa preferência que redes de cinema como o Cinépolis tem dado para os filmes dublados. 2) Antes de conseguir soltar um “AÍ NÃO, CAMARADA!”, fiquei momentaneamente paralisado quando acordei e percebi que havia um cara me bolinando. Filho da puta! 3) No dia do gato preto, quando ouvi o barulho dos bichos se enroscando, eu gritei de medo. Sinceramente? O som foi tão alto e demoníaco que eu achei que alguém estava sendo assassinado dentro da minha casa. 4) Corra!, longa que muita gente apressou-se em classificar como “um dos filmes mais assustadores dos últimos anos”, só me deu sono. Não raramente, a vida real é bem mais assustadora do que a ficção.

Eu não havia planejado assistir  esse filme e não o fiz por acreditar que ele tinha alguma chance de ser o “mais assustador e blablabla”. Fui ao cinema ver o Alien: Covenant, mas como não animei pagar por uma sessão dublada, acabei optando pelo Corra! mesmo.

Na minha cabeça, o debut cinematográfico do diretor Jordan Peele, mesmo que não fosse algo revolucionário, seria um filme de terror podreira decente, ou seja, o tipo de material legal para assistir numa quinta feira à noite. O começo, aliás, é deveras promissor. Andando sozinho à noite numa rua mal iluminada (que cenário perfeito, não?) um jovem negro percebe que está sendo seguido por um carro branco. O rapaz até tenta fugir, mas acaba sendo imobilizado por seu perseguidor e jogado no porta malas do carro. O veículo acelera e a música “Run, Rabbit Run” é executada. O contraste entre a violência mostrada e a melodia alegre geram um clima macabro e a gente fica doido para saber o que acontecerá a seguir.

Rosquinhas. É isso que aparece na sequência: uma mulher comprando rosquinhas. Rose (Allison Williams) pega os quitutes em uma padaria e vai até a casa de seu namorado, Chris (Daniel Kaluuya), para tomar o café da manhã. Após 4 meses de relacionamento, Rose quer levar Chris para conhecer os pais, mas há um “problema” nisso: ela é branca e ele é negro. Somando isso ao fato de, na cena inicial, um negro ser perseguido por um carro branco, entendi que o filme seria uma espécie Adivinhe Quem Vem Para Jantar versão terror, ou seja, o diretor Jordan Peele valeria-se de um pouco de sangue para falar sobre racismo e temas correlatos.

Não utilizarei SPOILERS, portanto não aprofundarei na forma como a questão racial é trabalhada dentro do filme (o tal Projeto Coagula). Fazê-lo implicaria, por exemplo, dar detalhes da “revelação” que é feita no final e certamente estragaria a surpresa para quem ainda for assistir. Posso dizer, porém, que Peele fala de apropriação cultural e utiliza ironias e metáforas (a cena do algodão) para explicitar os conflitos históricos entre brancos e negros. Essa parte da trama, principalmente pela atualidade do tema, é irretocável, mas ainda assim eu queria ver um filme de terror, e nisso Corra! peca bastante.

A mistura entre terror e humor é antiga e tem até um gênero cinematográfico próprio. Não há nada de errado com o chamado terrir: filmes como A Morte do Demônio e Tucker e Dale Contra o Mal são bem divertidos. O que acontece aqui, porém, é que Peele foi ambicioso demais. Ele quis fazer um filme sério (vide as questões raciais abordadas), assustar e divertir ao mesmo tempo. É difícil manter o foco com tanta informação. Ao mesmo tempo que está nos mostrando a falsidade impregnada na postura liberal e progressista dos pais de Rose (Catherine Kenner e Bradley Whitford), o diretor tenta nos assustar com coisas estranhas (um maluco correndo durante a noite, uma mulher que conversa fazendo caretas bizarras) e nos fazer rir com Rod (LilRel Howery), o colega falastrão de Chris. Peele faz uso de uma trilha sonora poderosa, da ambientação majoritariamente noturna e de alguns clichês (o acidente na estrada) para criar um clima de suspense, mas ele sabota o próprio trabalho quando interrompe a tensão com alguma piadinha cretina.

Corra! tem pouquíssimo sangue, um desfecho pouco original (um personagem até brinca com isso citando o De Olhos Bem Fechados) e essa alternância constante (e ruim) entre o humor e o terror como pontos negativos. Não tenho dúvidas que o filme pode encontrar mais aceitação junto de quem estiver diretamente envolvido nas questões raciais apresentadas, mas fiquei com a impressão que o diretor Jordan Peele errou feio em sua tentativa de misturar gêneros. Quem sabe em seu próximo trabalho ele entenda que, algumas vezes, tudo que um filme de terror precisa para dar certo é um assassino em série e adolescentes desmiolados. Ou um gato preto demoníaco. Ou um tarado em um ônibus.