Halloween – A Noite do Terror (1978)

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HalloweenAos poucos, vou conseguindo assistir e resenhar algumas das séries de terror clássicas por aqui. Quando comecei o blog, eu estava terminando de ver A Hora do Pesadelo, na sequência vieram todos os Hellraiser e, por último, comentei sobre os filmes do O Massacre da Serra Elétrica. Tenho um plano antigo de revisitar os longas do Jason (que eu cresci assistindo nas madrugadas da Globo), mas por hora vou investir no Michael Myers mesmo.

A franquia Halloween é composta por 10 longas, sendo 8 da série original, lançados entre 1978 e 2002, e 2 da recente onda de remakes hollywoodianos cujo primeiro é aquele filme meia bomba de 2007 do Rob Zombie. Neles, conta-se a história do psicopata Michael Myers, um sujeito que foi mandado ainda criança para um hospício após matar a própria irmã. Depois de 15 anos internado, o assassino consegue escapar e retorna para sua cidade, Haddonfield, disposto a torcer alguns pescoços.

A popularidade e culto ao redor desse debut, acredito, deve-se um pouco as condições em que ele foi concebido. Tal qual o A Noite dos Mortos-Vivos, Halloween foi rodado com um orçamento mínimo (aproximadamente $300.000) e rendeu cerca de 100 vezes o seu custo em bilheteria, tornando-se um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos. Na época, porém, alheio a esse futuro sucesso comercial, o público compareceu ao cinema mesmo foi para ver em ação um dos primeiro grandes assassinos em série de Hollywood: Jason começaria a matança em Crystal Lake em 1980, Freddy invadiu seus primeiros pesadelos em 1984 e Pinhead só seria evocado pela Configuração dos Lamentos em 1987. É bem verdade que o Leatherface já estava picotando jovens desde 1974, mas considerando que a ambientação dos filmes dele é um tanto quanto diferente da dos demais dementes citados (a família de canibais age em um ambiente rural e são as vítimas que vão até eles, não o contrário), podemos compreender o interesse do público pela novidade que a estreia do Myers representou.

Halloween - CenaJohn Carpenter, que escreveu e dirigiu o longa, começa Halloween com uma daquelas sequências que a gente vê e não esquece nunca mais. Com uma câmera que simula uma visão em primeira pessoa, ele nos coloca na pele do assassino e nos faz caminhar furtivamente dentro de uma casa. Abrimos uma gaveta, selecionamos uma faca afiada e subimos os degraus de uma escada. A porta abre e, graças ao fim da censura que imperou no cinema americano até metade da década de 60, vemos uma bela jovem, completamente nua, sentada e escovando os cabelos. Nosso braço não hesita diante do grito: esfaqueamos repetidamente aquela amamentadora em potencial. Após nos permitir “experimentar” essa ação macabra, Carpenter desfaz a ilusão ao mostrar, em um plano convencional, a face de seu personagem: lá está, para nossa alegria nosso espanto, um garotinho vestido de palhaço segurando uma lâmina ensanguentada.

Halloween - Cena 3Depois desse começo brutal, a história avança 15 anos no tempo e contemplamos a calma Haddonfield em toda sua calmaria. O caso do menino psicótico ficou no passado, a casa onde ele morava ganhou fama de mal assombrada e as pessoas seguiram suas vidas. Dr. Sam (Donald Pleasence), médico que cuidou de Michael durante todo esse tempo, presencia então a fuga de seu paciente mais perturbado e prevê o pior. Halloween é um filme que exige constantemente que o espectador suponha certas coisas para que sua história avance. Por exemplo: tendo em vista que Myers não busca vingança, já que nenhum dos adolescentes do filme foi responsável por seu encarceramento, por que ele adquire aquela estranha obsessão por Laurie (Jamie Lee Curtis) e suas amigas? Só porque ele viu ela colocando um papel em sua casa antiga? Melhor do que julgar isso como um simples furo de roteiro é pensar que Myers, em sua insanidade, decidiu dar cabo de qualquer um que cruzasse seu caminho, assim, sem mais nem menos, como todo bom louco faz.

Halloween - Cena 4Morte, morte mesmo o filme tem poucas, principalmente se comparado a algumas produções atuais (contam-se 5 corpos), mas todas elas são bem filmadas e agoniantes. Todo caso, por incrível que pareça, o forte do filme não são essas cenas de violência. Apoiado em uma música tema inesquecível (que, aliás, foi usada em uma cena legal do ParaNorman), Carpenter construiu sobretudo um filme de suspense competente no qual imaginar o que pode acontecer com aquelas moças é bem mais amedrontador do que vê-las sendo esfaqueadas ou enforcadas com fios de telefone. Talvez devido a economias necessárias na hora de filmar, o diretor não exibe muitos detalhes quando manda seus personagens para o além (há pouco sangue no filme), mas é inegável que ele compensa isso com o clima tenso de perigo criado. A tal musiquinha, de tanto tocar, acaba deixando a gente meio paranoico depois de um tempo (duvida? então clique aqui e escute ela 10horas seguidas rs).

Halloween - Cena 5Como vilão, Myers é uma espécie de “pai” do Jason: caracterizado com um macacão e uma máscara que foi baseada no rosto do William Shatner (rs²), ele anda por aí com uma faca gigante ceifando vidas e, aparentemente, nada, NADA mesmo que tu fizer tiro, porrada, bomba será capaz de matá-lo. O final do filme, nesse sentido, chega a ser engraçado.

Halloween – A Noite do Terror é um filme relativamente curto (1h30min) e que possui um ou outro ponto que poderia ser melhor desenvolvido (fala-se pouco sobre as motivações/história do personagem principal), mas ainda assim ele é bem divertido, sendo praticamente impossível não reconhecer, ao assisti-lo, suas qualidades e o local que ele ocupa enquanto clássico absoluto dentro do gênero de terror.

Halloween - Cena 2

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  1. Eu sinto muita, mas muita falta de filmes com 90 minutos. Não é que ele seja relativamente curto, ele segue o tamanho padrão dos filmes de sua época.

    Hoje parece que os caras desaprenderam a editar. Olha o novo Godzilla, olha Os Vingadores, olha A Origem. Todos tem pelo menos (PELO MENOS!) 40 minutos de lixo editorial que poderia ser cortado para dar melhor ritmo ao filme.

    Vou nem falar do Senhor Peter Jackson e seus últimos filmes…

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