Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977)

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Apesar de ter assistido Um Cão Andaluz na faculdade, eu só lembrava do nome do Buñuel por conta da música Gaiola das Cabeçudas do Marcelo Adnet. Pelo que eu andei lendo, o “cineasta espanhol amigo do Salvador Dali” parece gozar de grande popularidade entre os cinéfilos por, entre outras coisas, apresentar em seus filmes elementos surreais e críticas à burguesia. Esse Obscuro Objeto do Desejo foi o último filme feito pelo Buñuel e revelou-se uma boa escolha para conhecer o trabalho do diretor (fora a famosa cena da “navalha no olho”, eu não lembro de praticamente nada do Um Cão Andaluz): além de trazer os traços característicos do cineasta, o longa ainda conta com uma história repleta de erotismo e uma espécie refinada de humor negro.

A trama começa com uma cena inusitada. Mathieu (Fernando Rey) abandona uma mulher em uma estação de trem após encharcá-la com um balde de água. Por que ele faz isso? Quem é essa mulher? O tema central do filme, o desejo e o jogo de manipulação inerente a ele, começa a ser trabalhado aguçando a curiosidade e a ânsia do espectador por informações. Já abordo do trem (e sem perceber que a moça também conseguiu embarcar), Mathieu encontra em seus companheiros de viagem o público necessário para contar sua história. A moça é Conchita (Carole Bouquet e Angela Molina), e Mathieu conta para os passageiros e para nós como ela resistiu sistematicamente as suas tentativas de possuí-la.

Como vocês devem ter notado, eu relacionei o nome de duas atrizes para a personagem Conchita. Denunciando para os leigos e desinformados o aspecto surreal de sua obra, Buñuel colocou duas beldades para interpretar a personagem principal, cada uma representando uma personalidade da ora fogosa, ora recatada Conchita.

A tal crítica a burguesia é focada no personagem Mathieu. Visto de forma impotente e decadente, o personagem, mesmo com toda sua experiência e poder econômico, não consegue concretizar um simples desejo carnal. Tal desejo, aliás, manipula-o e é mais forte que os valores que ele ostenta publicamente.

Esse Obscuro Objeto do Desejo é um filme que tem tudo para agradar o público do chamado “cinema arte”: foge do convencional, subverte a moral, tem uma narrativa cronologicamente complexa  e o aspecto psicológico dos personagens é bem trabalhado. O clima erótico e a curiosidade para conhecermos o desfecho da história são a cereja do bolo. Ótimo filme, sem dúvidas me agradou o suficiente para assistir mais trabalhos do diretor.

As belas Carole Bouquet e Angela Molina

As belas Carole Bouquet e Angela Molina

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