A Morte do Demônio (2013)

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A Morte do DemônioEu tenho uma história engraçada com o Evil Dead – A Morte do Demônio original. Se não me falha a memória, assisti ele em 2004, ano que eu entrei na faculdade e arrumei minha primeira namorada séria, dessas de levar em casa e apresentar para a família. Em um dos finais de semana que ela veio me visitar (ela morava em outra cidade), ficamos acordados até tarde para ver um filme e outras coisitas mais. Éramos virgens (quer dizer, eu certamente era rs) e a idéia machista patriarcal era assistir um filme de terror abraçadinho, protegendo e bulinando a donzela apavorada. Sinceramente, lembro pouco ou nada do filme, mas nunca esquecerei da cena do matinho estuprando uma personagem. Não que nós estivessemos realmente prestando atenção na TV, mas essa cena provocou uma reação nela do tipo “por quê você está me mostrando esse tipo de coisa?”, um boa noite e uma porta de quarto trancada. Menina humilde, de uma cidade pequena e de um tempo onde “quadradinhos de 8″ provocariam espanto, senão morte por decepção, até mesmo no próprio demônio. Uma pena…

“The most terrifying film you will ever experience”. No meu caso, não, meu último post, por exemplo, foi uma experiência mais aterrorizante, mas não criticarei a estratégia de marketing dos produtores, primeiro porque ela funciona, segundo porque, de fato, o diretor Fede Alvarez fez desse remake um dos lançamentos com mais “colhões” vistos ultimamente no circuito comercial.

A cabana. Qual? Não importa, elas são todas iguais...

A cabana. Qual? Não importa, elas são todas iguais…

Além da famigerada cena do estupro, minhas lembranças do filme original resumiam-se a imagem da cabana, do Bruce Campbell e de uma fita que revelava uma mensagem demoníaca quando reproduzida. Convenhamos, isso não me permite fazer nenhum tipo de comparação, portanto vi e opino sobre A Morte do Demônio sem associá-lo com o cultuado filme de 1981, ok?

Após um rápido prólogo onde uma moça é queimada viva pelo próprio pai, vemos cinco jovens reunindo-se em uma cabana abandonada no meio da floresta. Mia (Jane Levy) está tentando livrar-se do vício das drogas e pretende passar o fim de semana no local na companhia do irmão e de alguns amigos para não ceder à crise de abstinência. Incomodada com um odor que somente ela parece sentir, Mia leva os amigos até um porão onde vários corpos de animais estão pendurados. Ali eles encontram um livro velho e o princípio do fim.

Não sei até onde o primeiro Evil Dead, um clássico do gênero, ajudou a construir esse cenário que acabou transformando-se em um clichê. Jovens dentro de uma cabana no meio da floresta enfrentando algum perigo tornou-se um lugar comum dentro do cinema de terror e recentemente essa constatação até foi usada como tema do excelente O Segredo da Cabana. Como trata-se de um remake, não dava para fazer muita coisa a esse respeito e, por isso mesmo, a história manjada não chega a incomodar, mas vale o aviso de que não há absolutamente nada de novo nesse sentido aqui.

Coisa linda...

Coisa linda…

Há algumas coisas interessantes sobre os personagens. A história de loucura na família de Mia é útil para o roteiro e para o desenvolvimento da personalidade hesitante (e irritante) do irmão dela e há uma ambiguidade divertida no personagem que é um professor universitário. Cético, pessimista e representante esteriotipado da ciência, o rapaz acaba sendo o responsável pela liberação do coisa ruim e a trava uma espécie de embate metafórico com as forças demoníacas. Não é por acaso que ele é um dos que mais sofrem no processo. Vale ainda citar, como curiosidade boba, que as letras iniciais dos nomes do personagens formam a palavra DEMON (David, Eric, Mia, Olivia, Natalie).

Os diálogos são ruins e excessivamente explicativos, tal qual pode-se esperar de um filme trash. As blasfêmias típicas do gênero misturam-se a pérolas do tipo: “Ah, então você veio?/Claro que vim, eu sou seu irmão”. Excelente.

Mas deixemos esses detalhes de lado e vamos para o prato principal oferecido por Fede Alvarez, o terror, o medo, as cenas que fariam o espectador desejar nunca ter saído do útero da mãe, a tal experiência fílmica mais aterrorizante que nós já teríamos vivido. A Morte do Demônio não me assustou uma vez sequer. Infelizmente, o diretor abusou da técnica de aumentar o volume e cortar rápido para um objeto/personagem surpresa para orquestrar a maioria dos sustos que ele planejou. O clima também é constantemente quebrado por transições mal feitas. Há mais de um momento onde a tensão está em uma crescente interessante, tu, tenso,  começa a movimentar-se na poltrona e, de repente…. a cena corta para uma imagem exterior da cabana onde nada, NADA está acontecendo.

Let's put a smile on that face

Let’s put a smile on that face

A Morte do Demônio, portanto, tem diálogos ruins, personagens esteriotipados e cenas e cenários clichê. “Ué, mas tu não disse que o remake tem colhões?”. Sim, e é por isso que, apesar de tudo que foi falado até agora, eu ADOREI o que vi e recomendo que tu também o faça, preferencialmente no cinema. Alvarez não economiza na violência e no sangue, vê-se cabeças esmagadas, membros amputados, línguas partidas com estiletes, corpos fuzilados e todo tipo de perfuração, cortes e incineração em closes explícitos, os quais ficam ainda mais perturbadores devido ao pequeno número de cortes  (de cena) utilizados pelo diretor. Não me assustaram, mas a cena onde tentam furar o olho de um personagem com uma agulha e a sequência final, referência direta a famosa motosserra da franquia original, me fizeram contorcer na cadeira. Aliás, o final do filme é daqueles para tu assistir de pé, com os braços abertos gritando HELL YEAH! Logicamente, tu fará isso apenas em pensamento, visto que não é legal atrapalhar as outras pessoas e tu certamente não gostará de ser taxado como doido. Com censura 18 anos, A Morte do Demônio arrecadou o triplo do que gastou em um mês de exibição no território americano. Espero que esses números sirvam para os produtores perceberem que o público, de vez em quando, gosta de um bom banho de sangue ficcional.

Raining blood, from a lacerated sky, bleeding it's horror, creating my structure, now I shall reign in blood!

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