Os Mercenários 2 (2012)

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O primeiro Os Mercenários gerou reações do tipo “ame ou odeie”. Se muita gente ficou empolgada com a reunião dos brutamontes que fizeram sucesso em filmes de ação nas décadas de 80/90, também não faltou quem criticasse o filme por sua superficialidade e ação descerebrada. Eu, que fui no cinema e gostei de todos os excessos da turma do Stallone, cheguei a discutir seriamente com um colunista de um extinto blog por críticas que o mesmo fez ao filme. O tal colunista, que assim como eu também era um graduando do curso de História, escreveu um texto repleto de ironias e críticas ao fato de Os Mercenários reunir, segundo ele, atores velhos, decadentes e anabolizados em um filme sem roteiro. Na época, os comentários do ator Sylvester Stallone sobre o Brasil (aquele sobre explodir coisas e ganhar um macaco) também transformaram-se em “argumento” para o colunista detonar o filme e o resultado foi uma troca de “gentilezas” desnecessárias entre nós dois.

Este que vos escreve celebra o direito da liberdade individual de expressão e não tem nenhuma pretensão de convencer alguém a pensar como ele. No entanto, devo dizer que fiquei e fico espantado quando vejo alguém buscar algo em um filme que ele nunca propô-se a oferecer.  O roteiro de Os Mercenários é de uma medócridade enorme, mas a tal “ação descerebrada” ditou e ainda dita os rumos das carreira de praticamente todos os atores envolvidos de modo que ir no cinema esperando a reinvenção da roda, nesse caso específico, era um problema de julgamente do espectador, não do filme. Ao que tudo indica, gostando ou não, as pessoas compareceram no cinema para prestigiar o evendo idealizado pelo Stallone em número suficiente para garantir uma continuação e, 2 anos depois do lançamento original, chega as telas Os Mercenários 2.

Para quem não gostou do primeiro filme e quer saber se vale a pena ir no cinema dessa vez, já vou logo dizendo que é melhor ficar em casa. Os Mercenários 2 é aquele tipo de continuação cujo raciocínio é pegar tudo que agradou no original e tornar maior e mais exagerado. O roteiro, que novamente cumpre um papel secundário, mostra o grupo liderado por Barney Ross (Stallone) sendo enviado pelo misterioso Church (Bruce Willis) para uma missão. O que era para ser um trabalho relativamente fácil culmina na morte de um dos membros do grupo e então Barney e cia partem em busca de vingança. O vilão da vez, acreditem se quiserem, chama-se Villain (Jean-Claude Van Damme) e planeja utilizar um carregamento monstruoso de plutônio para ficar rico.

Pois bem, lá estava eu sentado naquela cadeira bizarra do Cinemark preparado para várias explosões, cenas de ação fantásticas e toda espécie de frase de efeito. Eis que o filme começa e, já na cena inicial, todas as minhas expectativas foram superadas. A cena de abertura de Os Mercenários 2 poderia ser usada como clímax de qualquer filme de ação tamanho é o exagero do que se vê na tela. Enquanto invade uma espécie de complexo militar para salvar um refém, o grupo de Barney derruba helicópteros (usando uma moto!), quebra paredes e utiliza todo o tipo de armas possíveis (revólveres, metralhadoras e lança mísseis) para literalmente explodir os bandidos. A censura de 16 anos que o longa recebeu justifica-se logo nos primeiros minutos quando o personagem do marombado Terry Crews atira na cabeça de um bandido e pode-se ver vários pedaços de carne voando, violência essa que pode ser apreciada em todas as cenas de ação até o final do filme.

Ele foi mordido por uma cobra e, 5 dias depois…

No geral, enquanto não estão matando ou explodindo coisas, os mercenários estão fazendo piadinhas uns com os outros que primam principalmente por referências aos filmes que os atores estrelaram durante suas carreiras. Os tais Chuck Norris Facts, por exemplo, garantem uma das melhores risadas que Os Mercenários 2 proporciona e são um indicativo de que esse não é um filme para se levar a sério. Não estou dizendo que isso torna qualquer coisa que vemos na tela aceitável (as maioria das piadas envolvendo o Jason Statham são ruins), mas há uma intenção clara de mostrar que tanto os atores quanto o filme têm consciência de suas limitações e do que eles representam para a história do cinema.

Quanto aos atores que juntaram-se ao elenco, devo dizer que adorei ver o Schwarzenegger em ação novamente. O cara tá velho e tal, mas poucos brutamontes são tão carismáticos com uma arma na mão quanto ele. O Chuck Norris, que ja era épico, faz coisas na tela que contribuem mais ainda para seu endeusamento. Liam Hemsworth destoa um pouco do resto do elenco bombado mas faz um bom sniper e, mesmo tendo sido encarregado de viver o vilão do filme, o Van Damme empolga com seus famosos chutes giratórios. As baixas ficam por conta do pouco tempo na tela dado para o Randy Couture e para o Jet Li e pelas cenas de ação pouco inspiradas que envolvem o Bruce Willis.

Os Mercenários 2 é um excelente testosterona total, um daqueles filmes onde tu, leitor na casa dos 20-30 anos, empolga-se tanto por ver seus heróis da infância na tela reunidos quanto por apreciar o espetáculo da destruição provocado por eles. Arrisco a dizer que o final do filme é fácil uma das cenas mais exageradas que eu já vi na vida, um tiroteio interminável dentro de um aeroporto que leva à uma batalha épica entre o Stallone e o Van Damme. Consciente daquilo que é e representa, o filme do diretor Simon West abraça a simplicidade e tem como resultado um épico de ação violento, engraçado e, sobretudo, honesto.

HELL YEAH!

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  1. é um trash assumido de ação, e o cinema hoje em dia tenta fugir de ser relacionado mesmo que de longe a esse genero. Quando o filme perdeu a vergonha e disse ”vamo tocar o puteiro” você tem toda a perda da seriedade do filme, dando espaços a piadas e exageros extremos, agora.. Quem disse que isso é ruim? Mercenarios 2 é um dos filmes mais divertidos desse ano e exatamente por isso, acho que a maioria dos diretores deveriam acordar e ver que se o filme deles não é bom, deveriam abraçar o genero trash e abrir mais espaço para esse tipo de piadas e referências e exageros que só é possivel em filmes como mercenarios(ou o genero zumbi).

    Michel Bay por exemplo, os filmes dele são uma bosta exatamente porque ele tenta fazer aquilo parecer sério, ele quer te empurrar aquele roteiro moldado a base a explosões e gostosas te dizendo que é algo inteligente(ou que deveria ser levado a serio como um bom roteiro).

    Parabens pro Stallone que teve a humildade de reconhecer isso e usou muito bem em seu filme, O filme é um show de atuações asuhasuhasuhauhasu, o elenco de malhação deve invejar muito esses caras.

  2. exato… é um tipo de filme pra quem gosta… e não me venha falar que achou o filme ruim se o mellhor filme que vc viu na vida é e o vento levou… é filme pra fortes eiuaheoaiehauie eu gostei do um e vou ver o 2 já!!!

  3. Cara, falou tudo! Uma crítica muito boa sobre um filme que foi feito para aqueles entre 20 e 30 poderem ver seus “astros” destruindo tudo e não levando um tiro…

  4. LucianF, gostei muito da tua crítica! O primeiro parágrafo me fez pensar bastante no que aconteceu durante o primeiro filme na faculdade onde estudo (também curso História), e é incrível o número de “pseudo críticos de cinema” que quer aparecer com uma crítica muito simplista sobre roteiros em filmes de ação. Tu resumiste muito bem a questão: tem gente que procura coisas em um filme que não se propõe a isso! O filme é divertido, tem ótimas cenas de ação e ver aqueles que mesmo no final se consideram como peças de museu, novamente participando de um filme – e todos juntos – é diversão em dobro.

  5. “o cinema hoje em dia tenta fugir de ser relacionado mesmo que de longe a esse genero”
    Toda essa “tragédia” que falaram é por causa de uma sociedade querer esses romantismos toscos de merda e coisas nada haver assistidos principalmente por crianças e mulheres, por isso disseram que é uma merda, esses frescos do caralho

  6. Quer conteudo? Vai assistir “E o vento Levou”” … agora, falamos a verdade, nos ultimos anos, quais tipos de filme de ação temos tido? Carros em alta velocidade? blá blá… Nada igual a Mercenário… Isso sim que é um voltando as origens!!!

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