Esses dias eu fui no cinema meio que a contra-gosto assistir o A Era do Gelo 4 e, como resultado, assisti um filme meia-boca e li alguns dos comentários mais absurdos que esse blog recebeu desde sua criação. Excluindo-se aqueles que continham apenas ofensas e xingamentos (e que foram devidamente excluídos), o tom das “críticas a minha crítica” foi o de que filmes infantis não foram feitos para serem criticados, o que muito me assusta. Não que eu me importe com o cidadão vir aqui xingar alguém que escreveu algo contra aquele filme que ele curtiu com seus míudos, o que me espanta de verdade é o fato de alguém sustentar que um produto para crianças deve ser perdoado de sua medíocridade caso consiga entreter as crianças em suas costumeiras 1h30min de duração.
Não sei se é pelo fato de eu ter trabalhado como educador infantil durante quase 1 ano e ter percebido que crianças gostam tanto de Teletubbies quanto de filmes como Carros e Kung Fu Panda ou se seria devido a minha repulsa contra alguém vir aqui e dizer que eu devo “criticar filmes sérios como A Lista de Chindler (Chindler, CHINDLER!)”, o fato é que eu achei isso tudo tão absurdo que confesso que cheguei a pensar que eu pudesse ter exagerado ao pensar que uma animação que consome milhões de dólares em sua produção pudesse fornecer entretenimento de qualidade para os adultos que costumam acompanhar os filhos nas salas de cinema.
Como eu comentei na oportunidade que só tinha ido ver A Era do Gelo 4 porque não consegui assistir Valente, o leitor Victor (muito educadamente, diga-se de passagem) comentou que a nova animação da parceria Pixar/Disney também era decepcionante, não tendo conseguido atingir nem as crianças tendo em visto que os primos que ele levou no cinema dormiram durante a sessão. Com isso em mente, voltei no cinema para assistir Valente e ver se A Era do Gelo 4 não estaria tão distante assim dos outros trabalhos que tem sido produzidos para o público infantil. Caro Victor, desculpe-me por discordar de você mas… que abismo há entre essas duas produções!
Para que o texto não transforme-se em uma longa e tediosa comparação entre este e aquele, vou procurar ater-me apenas naquilo que eu considero que faz de Valente uma animação que consegue atingir satisfatoriamente tanto adultos quanto crianças. Primeira personagem principal feminina da Pixar e seguindo a tradição das princesas da Disney, Merida é a filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor. Enquanto o pai vê em Merida o filho que ele não teve (até o nascimento dos trigêmeos, é claro) e a cria com brincadeiras tipicamente masculinas, a mãe tenta educá-la para que um dia ela transforme-se em uma bela e elegante rainha. É claro que, para Merida, brincar de atirar flechas com o pai é bem mais interessante do que viver o mundo de privações e aulas sobre etiqueta com a mãe. Em um mundo repleto de lendas e magia, a princesa cresce reprimida pelas vontades da mãe e deseja uma oportunidade de reverter a situação e viver uma vida livre onde ela possa cavalgar e disparar suas flechas a vontade. Quando 3 reis chegam até o reino de Fergus para tentar casar sua filha com um de seus primogênitos, Merida recorre a uma bruxa para conseguir um feitiço que possa fazer sua mãe mudar de idéia sobre o tal casamento. Elinor muda, mas muda mais do que a pequena e rebelde Merida esperava.
Ao contrário do que o Victor disse, nenhuma criança dormiu durante a sessão que eu assisti, muito pelo contrário, a mulher que estava sentada ao meu lado precisou conter os gritos de empolgação do filho quando Merida galopava em seu cavalo e confortá-lo nas cenas assustadoras e dramáticas envolvendo os ursos que surgem na história. O que uma criança sente ou não assistindo um filme, no entanto, é algo muito particular e, mesmo que eu fizesse um esforço enorme, acho que não conseguiria dar uma resposta contra ou à favor de Valente nesse sentido. Vejo a animação super colorida, os personagens grandes e bem animados e as sequências de ação frenéticas como fatores que costumam agradar os míudos, mas isso não é uma regra. Explicar o porque da animação ter me agradado, um adulto que frequenta o cinema regularmente, já é um pouco mais fácil.
Além dos pontos feitos para agradar as crianças (quem não gosta de uma bela sequência de ação repleta de luzes?) e da animação belíssima, Valente está repleto de detalhes incluídos carinhosamente na trama para agradar quem já abandonou a mamadeira. Não é apenas tu perceber que o cinto da rainha tem o formato do Mickey ou entender que, quando Fergus fala “Adivinhe quem vem para jantar?” quando seus incômodos futuros genros chegam no castelo, ele está referindo-se ao clássico Adivinhe Quem Vem Para Jantar que tem como tema exatamente uma relação complicada entre sogros e genros. O primor da produção reflete-se também na forma como ele trabalha os sentimentos de quem já tem alguma bagagem na vida.
Começa com o belo curta La Luna mostrando o prazer dos pais de ensinarem seus ofícios para os filhos e segue com uma história que inverte o lugar comum da tradicional lição de moral das animações: no melhor estilo “Você diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais”, Valente oferece a oportunidade da mãe super-protera de rever seus atos, mas é na lição que Merida aprende quando nega os ensinamentos de Elinor que a história verdadeiramente cresce. A princesa precisa cuidar da mãe como se ela fosse um bebê e percebe o quão difícil é ser responsável pelo aprendizado de alguém. Antes de sermos pais, ainda somos filhos e nem sempre tratamos nossas mães/pais como eles merecem, julgamos nossa família mas esquecemos nossas responsabilidades como filhos. Esse conflito desemboca em uma cena desesperada, triste, tocante e bonita que me levou as lágrimas próximo ao final do filme, aquele choro sincero do filho que ama a mãe e que sente a possibilidade de perdê-la. Quem já passou por isso sabe do que eu estou falando.
Por tudo que foi apresentado, digo que eu não estava errado sobre o A Era do Gelo 4. Animações PODEM e DEVEM serem mais do que simples entretenimento para as crianças. Eu gosto de rir e de acompanhar os personagens em suas “aventuras do barulho”, mas também espero que quem produza esses filmes preocupe-se com o fato de que há na sala de cinema pessoas com censo crítico ansiosas por serem supreendidas e, mais do que entretidas, desejam emocionar-se. Valente fez isso por mim




otima critica, um bom filme que enterte tanto crianças como também adultos
eu amei o filme… muito bem feito.
mas não gostei da história. achei bem fraco com relação a isso.
Eu gostei da história, achei o argumento bom.
Adorei sua crítica. ^^
O filme é sensacional, possui profundidade e temas que dialogam inclusive com quem já é um pouco mais velho. E, ao contrário do que o leitor Vitor disse, na sessão em que assisti (assisti duas vezes no cinema, inclusive) as crianças estavam empolgadíssimas e riam o tempo todo. Algumas chegavam quase a pular nas cadeiras.
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Gostei muito do visual da personagem que chama muito a atenção.
Merida tem potencial como personagem solo, assim como o panda do Kung fu panda, mas naõ souberam desenvolver isto. Faltou mais personagens interessantes e roteiro, isto mesmo, faltou roteiro.
Gostei, mas é fraco na historia.
Quando acaba a animação, voce pensa: “Ué, já?
Faltou trabalhar mais a lenda do urso, dos irmãos e muitas outras coisas.
mas assista que é bom.
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