A Noruega, país abençoado pelo vento negro onde o Black Metal é mais pop que o Justin Bieber, dá esse tapa na cara do ócio, da hipocrisia e da perversão mundial.
Rino é um gordo que trabalha fazendo traduções de manuais de ferramentas. Ele mora sozinho e divide o tempo entre masturbar-se praticar a arte milenar do auto-conhecimento e desenhar histórias em quadrinhos com personagens ligados a sua mente pervertida. Em um dia qualquer , o pai de Rino aparece e diz que alugou um quarto da casa para uma moça, uma sueca loira de 19 anos OMG!. A rotina da casa muda e Rino tenta adaptar-se ao ritmo de vida da lolita, com festas, amigos e bebedeiras.
O principal mérito de Fatso é não recorrer ao cliché de transformar seu personagem principal em uma espécie de herói que luta contra uma sociedade superficial (o velho blablabla da beleza interior). Rino é feio, gordo e bobo e tem consciência disso, ele não quer encontrar alguém que o ame dessa forma, ele quer mudar e encaixar-se no sistema. Os mais apressados podem até dizer que ele é fútil, o que não é totalmente errado, mas o TCHAN de Fatso é justamente essa sinceridade quase explícita da forma como Rino vê a si mesmo e o mundo onde ele vive. Essa abordagem mais “realista” transforma o personagem em um anti-herói que, se não expõe na tela alguma fraqueza moral que a gente também tem e esconde no dia-a-dia, pelo menos serve como exemplo de como NÃO agir.
Dependendo da inclinação que o espectador possa ter para o humor negro, Fatso chega a ser engraçado e a mensagem que fica é que somos nós que complicamos as coisas, que tudo é bem mais simples do que parece. É um pragmatismo arriscado, mas dentro do contexto do filme e das pessoas que ele aborda eu concordo totalmente.
gostei da proposta desse filme